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Obra Método: Paisagismo Rochaverá é diferencial
15/03/2011
Obra Método: Paisagismo Rochaverá é diferencial

O projeto de paisagismo do Rochaverá, concebido pelo escritório americano Pamela Burton & Company e desenvolvido pelo Estúdio de Arquitetos para a Aflalo & Gasperini Arquitetos, foi premiado pela Sociedade Americana de Arquitetos Paisagistas (ASLA). Com projetos realizados na China, Japão, Coreia, Taiwan, México e Ucrânia, o Pamela Burton Co. inaugurou assim sua parceria com profissionais brasileiros.As equipes trabalharam à 10.000 quilômetros de distância, no eixo São Paulo-Santa Monica, na Califórnia. "Para nós, foi a primeira experiência desse tipo. Fizemos várias teleconferências para afinar os conceitos e detalhes do projeto, com a participação dos clientes, autores e da equipe americana. Conseguimos total sintonia arquitetônica com o conjunto dos quatro edifícios, que compõem o Rochaverá", conta Eduardo Martins.

Integração Total

A escolha os profissionais para fazer o paisagismo foi uma tarefa desfiante. "O projeto do Rochaverá é da década de 90. Começou a ser construído em 2000, com paisagismo assinado pela DW/Santana. Mas, houve uma interrupção e em 2006, na retomada do trabalho, foi necessário atualizar os conceitos dos lobbies, que se destacam pela ultratransparência e pela integração total com a área externa", diz Martins. Com quase 7 metros de pé-direito, os lobbies foram fechados com vidro estrutural, assim a luz natural é abundante, a ligação com a área verde do entorno é mantida e quem chega tem a sensação de continuar ao ar-livre. "Tornou-se prioridade ter um projeto paisagístico que não fosse antagônico à proposta arquitetônica nem passasse despercebido. Foram feitos vários estudos com vários paisagistas brasileiros. Até que a incorporadora, a Tishman Speyer, sugeriu a Pamela Burton Co. e assim começou o nosso diálogo virtual".

"Quando fomos escolhidos para fazer o projeto paisagístico para este complexo conjunto de edifícios, em São Paulo, ficamos pensando em como os nossos desenhos seriam traduzidos, como tomariam forma", comenta Stephen Billings, sócio do Pamela Burton Co. "Mas, depois dos primeiros contatos com a equipe brasileira ficamos tranquilos".

Dos croquis à execução

A paisagista norte-americana Pamela Burton mandou um primeiro desenho, feito à mão, com lápis de cor. Ela propunha linhas orgânicas, caminhos sinuosos, vários desníveis e recantos acolhedores, com espelhos d’água e fontes. A intenção era provocar um contraste harmonioso com as linhas retas dos edifícios e abrir um espaço semipúblico e agradável nessa área da cidade. "A princípio Roberto Aflalo teve receio desta proposta diferenciada, mas resolveu seguir nessa "aventura paisagística", como ele chamou. Então, nós pegamos os croquis, passamos para o programa de desenho digital de arquitetura, colocamos tudo em escala e começamos a pesquisar os materiais brasileiros, que estivessem de acordo com os desenhos da Pamela e com o sistema construtivo", diz Martins.

Enquanto os jardins eram projetados a obra estava em curso. Para não estourar prazos e custos, o Estúdio de Arquitetos estrategicamente, desenvolveram uma plataforma de concreto, totalmente plana, mas capaz de acolher o projeto paisagístico, com os vários desníveis. As soluções saíram do usual: "Parece que se está pisando no chão, mas na verdade, há um vão de 80 cm e a terra foi colocada sobre blocos de isopor, do tamanho de mesas, recortados em morretes, conforme o a indicação de Pamela Burton", conta o arquiteto. Um outro desafio foi estrutural: "Tivemos que resolver a sobrecarga do jardim sobre a laje do pavimento térreo, criando um piso duplo, com placas pré-moldadas, e sistemas hidráulicos e elétricos eficientes. Essa parte está oculta, mas é essencial para que a área externa permaneça sempre exuberante", revela a arquiteta Fátima Moreira.

Arquitetura, vegetação e luz

Além do desenvolvimento da arquitetura civil, o Estúdio de Arquitetos fez a coordenação do projeto, integrando à arquitetura ao paisagismo e a iluminação. As plantas nativas brasileiras foram escolhidas pelo paisagista Sergio Santana, que "tropicalizou" o jardim, mas mantendo os efeitos da proposta original. E o projeto de luminotécnica ficou a cargo de Gunter Parschalk, que já assinava a iluminação dos lobbies: "À noite, a praça ganha iluminação suave, pois conta com a intensa luz branca dos lobbies. Nas cascatas, as luzes são azuis", destaca Martins.

Qualidade no detalhamento

O nível de detalhamento do projeto apresentado pela equipe brasileira surpreendeu os arquitetos americanos. "De fato, no detalhamento vamos além de um desenho esquemático. Nós mostramos todos os detalhes que possibilitam ter precisão no orçamento e na execução", diz Eduardo Martins. Stephen Billings concorda: "Todos foram muito conscienciosos ao discutir nossas ideias, a qualidade do detalhamento é superior e a comunicação excelente".

Detalhe: a própria Pamela Burton é responsável pela reciclagem dos jardins das casas projetadas pelo mestre da arquitetura contemporânea Richard Neutra. Austríaco, radicado na Califórnia, ele desenhou mais de 300 residências nessa região, entre 1927 e 1969. Neutra cunhou o termo biorealismo para definir a "relação inerente e inseparável entre homem e natureza", um dos questionamentos fortes em toda sua obra. "Sempre admirei Richard Neutra e ter esse contato direto com a Pamela que participa dessas obras arquitetônicas foi um outro privilégio deste trabalho no Rochaverá", conclui Martins.

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