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Método na Mídia
26/10/2006
O novo perfil do engenheiro civil - Gazeta Mercantil

Com as exigências do mercado da construção, este profissional ganha outras atribuições

Quedas nos juros, facilidade de crédito, saturação dos grandes mercados, abertura de capital de algumas construtoras e incorporadoras na bolsa de valores. Estes fatores têm cooperado bastante para o aquecimento da construção civil no país. "Com a queda dos juros, sobra mais capital no mercado e com isso cresce o investimento na construção", afirma Fabio Pereira, gerente da recém-criada área de engenharia da Michael Page, empresa especializada na seleção de executivos para cargos de média gerência.

Este cenário fez surgir uma nova demanda por profissionais na área da construção civil. São duas oportunidades de trabalho: a coordenação da obra e a incorporação do projeto. "Os coordenadores, gerentes ou diretores de obra ou de projeto são responsáveis pela coordenação das pessoas na obra, pela execução do cronograma físico e financeiro, pela produtividade e pela quantidade final do projeto", diz Pereira.

Na Método Engenharia, por exemplo, há dez gerentes de projetos atualmente. "No geral, tivemos um aumento entre 20% e 30% na contratação de profissionais este ano, entre eles o gerente de projeto", afirma Edna Cristina Manfrim Simões, consultora interna de Recursos Humanos da Método.

Na Cyrela não é diferente. A empresa registrou um aumento de 5% na área de engenharia e cerca de 15% na divisão de incorporação. Atualmente, a construtora e incorporadora conta com cinco coordenadores de obras e seis profissionais de incorporação no nível de gerência.

A presença deste profissional é percebida em mais de uma obra. E muitas vezes por até seis canteiros. Na Tecnisa, por exemplo, são dois coordenadores de obra submetidos a um diretor. Cada coordenador é responsável por uma equipe de cinco ou seis engenheiros. Hoje, a construtora possui 14 canteiros de obras e, segundo Denise, a expectativa é chegar a 18 canteiros até agosto de 2007, o que significa a contratação de novos engenheiros para coordenação.

Mas afinal, o que mudou no perfil do engenheiro civil que tocava os canteiros de obras há alguns anos? "Muita coisa", afirma Edna da Método. "Hoje, esse profissional precisa ter uma qualificação em gestão de projetos, de pessoas e até mesmo financeiro". Uma visão comercial também ajuda muito. "O coordenador da obra faz uma interface com a equipe da obra, com fornecedores e clientes, por isso ele também deve ser um bom negociador, administrador e possuir uma boa relação humana".

A consultora da Método revela também que além da formação em engenharia civil, o mercado atual exige uma certificação conhecida como PMI (Project Management Institute). Trata-se de um curso de aprimoramento de profissionais em gestão de projetos que segue uma metodologia norte-americana e tem enfoque em nove áreas de conhecimento. "Depois que termina o curso, o profissional faz uma prova para receber o certificado", conta. "Hoje, um profissional com essa certificação possui um grande diferencial no mercado", prossegue Edna.

A mudança no perfil desse profissional tem sido percebida pelos profissionais de RH das construtoras e incorporadoras há pelo menos três anos, com maior intensidade em 2006. "Hoje, o cliente está muito mais exigente, por isso ele precisa ter um contato dentro da obra para acompanhar seu andamento, e muitas vezes esse profissional é o contato do cliente durante a realização do projeto", observa.

"O engenheiro responsável pela coordenação de uma obra não é mais um gerenciador de operários, ele precisa ser mais do que isso", afirma Mota, da Cyrela. Entre as exigências para o cargo, além da graduação em engenharia civil, estão uma extensão ou um MBA em gestão financeira, de projetos e de pessoas. "Hoje, em um canteiro de obra, existem o mestre-de-obras, o engenheiro responsável e também o coordenador ou gerente da obra", afirma Pereira da Michael Page.

Uma outra oportunidade que surgiu no mercado de construção civil graças ao aquecimento do mercado imobiliário é a do profissional de incorporação – área que possui atualmente uma grande demanda, mas "os profissionais estão sendo caçados no laço", brincou a gerente de RH da Tecnisa, Denise Bueno.

É este profissional que identifica o negócio. E procura o terreno, identifica qual o melhor produto para ser desenvolvido naquela região. Por isso, tem de ter uma visão técnica, financeira e mercadológica do negócio. Na RMA Construtora, a divisão de incorporação está dividida em três diretorias.

"O profissional que atua na área de incorporação precisa conhecer bem o perfil do usuário final, além de ter um grande conhecimento sobre urbanismo", diz Guilherme Auriemo, diretor de novos negócios da RMA Construtora. "Existem muitas questões burocráticas por trás de um terreno, por isso, para atuar em incorporação, além do conhecimento técnico do engenheiro, é preciso conhecer também administração, arquitetura e mercado, para poder analisar se é viável algum negócio naquela região", complementa Denise da Tecnisa.

A questão do urbanismo é de fundamental importância na opinião de Auriemo. "Esse profissional precisa ter conhecimento para saber avaliar se aquele local terá um crescimento, como se dará esse crescimento, como o projeto vai interagir com a região, entre outros pontos importantes", afirma.

Esta preocupação fez a RMA reformular seu organograma. Hoje o gerente de planejamento é o responsável por encontrar o terreno e fazer toda a análise do local. Em seguida entra em cena a gerência de marketing, que desenvolve o produto e, depois da aprovação do projeto em todas as instâncias – incluindo aí a aprovação da prefeitura – o gerente de contrato inicia a obra.

O profissional que atua na incorporação precisa ter como característica o conhecimento do mercado local. "Ele precisa saber como está o mercado naquela região para não lançar um produto que será um fiasco de vendas", diz o diretor de RH da Cyrela, que também possui divisão na área. Há a figura do diretor de terrenos, que busca o ponto; a do diretor de incorporação, que desenvolve o produto; e a do diretor de vendas.

No que diz respeito ao salário, pode-se afirmar que a faixa salarial desses profissionais está acima de níveis de direção na iniciativa privada, isso significa dizer, por exemplo, que um diretor de obra ou de incorporação possui uma renda mensal média de R$25 mil. No nível gerencial esse valor chega a cerca de R$15 mil e na de coordenação o salário mensal está na faixa dos R$7 mil.

Gazeta Mercantil


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