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Método na Mídia
18/10/2006
Método planeja ampliar receita no exterior - Valor Econômico

De sua casa na cidade de Valencia (Espanha), Marco Antonio Stephan acompanha diariamente a disputa entre Argentina e Uruguai em torno das fábricas de papel e celulose Botnia e Ence, na cidade uruguaia de Fray Bentos. Stephan é diretor da área internacional da Método Engenharia, uma das maiores construtoras brasileiras, com faturamento anual da ordem de US$ 150 milhões.

A Método é uma das 17 construtoras internacionais que estão erguendo a unidade da finlandesa Botnia, alvo da ira da população argentina de Gualeguaychu, que fica em frente a Fray Bentos, do outro lado do rio Uruguai. Eles temem a poluição que as papeleiras, na opinião deles, podem causar. Na megaobra da Botnia, um investimento de US$ 1,2 bilhão, a Método está construindo os escritórios, o centro de treinamento e as salas de reuniões, que formam o complexo chamado "workshop".

A espanhola Ence, cuja fábrica estava apenas nos alicerces, não resistiu às pressões públicas e diplomáticas e há duas semanas anunciou sua mudança para outra cidade uruguaia (ainda não divulgada). A da Botnia está quase pronta e Stephan não acredita que será paralisada. O caso ainda está sob análise da Justiça internacional e não há questionamentos quanto à obra em si, mas sobre a produção de papel e celulose.

O Uruguai, onde chegou há dez anos, foi o primeiro passo da Método no exterior. Hoje, a construtora tem negócios na Argentina, Chile e prepara novos saltos, para outros países da América Latina - Stephan diz que não pode revelar os nomes por enquanto - e a mais longo prazo, até os Estados Unidos. A construtora tem um estoque de US$ 40 milhões em obras no Uruguai, US$ 20 milhões na Argentina e US$ 35 milhões no Chile, negócios que respondem por aproximadamente 20% do faturamento global da Método. A intenção, diz Stephan, é fazer com que as operações internacionais alcancem um patamar de 30% do faturamento, número que garantiria um equilíbrio entre receitas e lucros. "No ponto de equilíbrio, as empresas no exterior podem ajudar-se entre elas e à matriz. Em caso de queda do mercado em um país, podemos compensar com os ganhos em outro", explicou o executivo em entrevista ao Valor.

Embora a Método já esteja pronta para voltar a abrir o capital no Brasil, segundo Stephan não está previsto o lançamento de ações para financiar a expansão para o exterior, que está sendo lenta e cautelosa. "Primeiro prospectamos o mercado, olhamos as oportunidades de negócios, participamos de uma ou outra obra com autofinanciamento e só depois decidimos se aquele mercado tem potencial suficiente para instalarmos uma filial.

Na Argentina, onde chegou em 1998 mas só constituiu uma subsidiária em 2003, a Método está no momento focada na construção de hotéis, um segmento que está liderando os altos índices de crescimento da construção civil no país. Os investimentos em construção de hotelaria turística aumentaram mais de 40% do ano passado para cá e os projetos anunciados este ano indicam investimentos futuros de mais de US$ 1,4 bilhão em cerca de 200 estabelecimentos. Estão em construção nada menos que 27 hotéis cinco estrelas nas províncias de Buenos Aires, Mendoza, Patagônia, Salta, Córdoba e Rosário.

A Método está participando da reforma do cassino do Hotel Hayatt em Mendoza e construindo o Hilton Iguazu, na área das cataratas da Província de Misiones. Stephan disse que a empresa negocia também sua participação na construção de outros três hotéis e está participando da concorrência para a construção de edifícios residenciais e comerciais. O interesse no mercado argentino também visa o exterior, mais especificamente Punta del Leste, o balneário uruguaio mais freqüentado pelos argentinos, que também são os maiores investidores em imóveis na cidade.

A Método não é a única brasileira a olhar para o mercado da construção civil argentina, afirma Juan Garrone, presidente da Creaurban, incorporadora controlada pelo grupo Macri. "Na Argentina, o grupo Macri está inclusive fazendo sociedade com importantes empresas brasileiras como a Odebrecht, para oferecer know-how do mercado local, num esforço conjunto para desenvolver projetos de infra-estrutura", afirmou Garrone, lembrando que já houve sondagens de empresas como a Camargo Corrêa e a Rossi em busca de oportunidades na área de construção - a Camargo Corrêa entrou na Argentina há dois anos com a compra da cimenteira Loma Negra.

Garrone explica que o valor dos imóveis aumentou muito desde a crise de 2002, as empresas investiram fortemente em hotéis e imóveis voltados para as pessoas de alta renda, nos bairros mais valorizados da capital, como Puerto Madero. Um novo "boom" está em marcha, diz o executivo da Creaurban, com a busca de moradia própria pela classe média, depois que o governo lançou, em agosto, um pacote para facilitar o financiamento hipotecário pelos bancos.

Stephan, da Método, diz que tanto nos hotéis quanto nos empreendimentos residenciais e comerciais na Argentina está entrando muito dinheiro de investidores argentinos, de volta do exterior agora que a crise passou, e de estrangeiros latinos, ibéricos e americanos que buscam oportunidades de rendimento nesta fase em que o país cresce de 8% a 9% ao ano.

Já no Chile, onde a Método chegou no ano passado, a idéia é entrar também em obras públicas, através das Parcerias Público Privadas (PPP) para construção de hospitais e prédios públicos operados pelo governo. Ali a construtora brasileira abriu uma empresa em sociedade com a Inversiones San Jorge, da família chilena Manzur. "O Chile é um país mais estável, onde trabalhar com o governo é mais seguro que na Argentina e mesmo que no Brasil", afirma o executivo.

Valor Econômico


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