O envolvimento dos funcionários leva a Promon ao pódio em um setor marcado pelos altos e baixos da economia
Se há um setor intimamente ligado ao investimento estatal é o de engenharia e construção. Não é novidade que grandes obras geram emprego, riqueza e turbinam a economia. No ano passado, no entanto, dos R$ 21 bilhões previstos pelo governo ao investimento, apenas R$ 6 bilhões saíram dos cofres. E o quadro repete-se em 2006. Dos R$ 28 bilhões direcionados, menos de 30% foram efetivamente utilizados até outubro. Como o setor não pode parar, os empresários passaram a investir na inovação e diversificaram seus serviços, levando o custo da construção civil a um aumento de 6,98% em 2005. Ainda assim, foi uma variação positiva em relação ao ano anterior, causada principalmente pela utilização de novas tecnologias. E foi nessa onda que a Promon S.A. conquistou a liderança no ranking de AS MELHORES DA DINHEIRO no setor de engenharia e construção. Ao longo dos 45 anos de experiência, a empresa enfrentou os piores – e melhores – momentos do País. E em cada um deles se reinventou. Saiu de uma enorme sala repleta de pranchetas para outra em um prédio alugado, mas projetado pelos engenheiros da própria empresa, recheado de computadores de última geração. Zerou a dependência dos projetos estatais, que chegavam a 80% da receita, e alcançou uma receita líquida de R$ 466 milhões no ano passado. "A Promon foi forjada na criatividade e na inovação", explica Luiz Ernesto Gemignani, presidente da companhia. "As grandes empresas, as que têm uma longa história de sucesso, investem fortemente nesse conceito." O resultado é que a empresa nunca viu uma linha vermelha em seus balanços financeiros. Em 2005, o lucro operacional foi de R$ 38,7 milhões.
AS MELHORES
EMPRESAS - PONTOS
Promon - 437
Via Engenharia - 431
Queiroz Galvão - 343
Gafisa - 340
CAM Brasil - 339
A liderança da Promon foi alcançada, em grande parte, pela gestão em recursos humanos. E não poderia ser diferente. Na empresa, no primeiro dia de trabalho, o funcionário já tem direito a comprar ações da companhia. Quando vai embora, tem de vendê-las à própria empresa. Dessa forma, os donos da Promon são as pessoas que efetivamente trabalham nela. Dos 800 funcionários, 85% são acionistas. E são eles, também, que escolhem o próprio presidente. Gemignani, em seu segundo mandato, está à frente da Promon há cinco anos. E pretende se candidatar outra vez. Outro ponto que chama a atenção é que o lucro da empresa é dividido em três partes: uma é distribuída entre todos os funcionários, como PLR; outra é repartida entre entre os que são acionistas; e a última parte é investida na própria empresa. No ano passado, esse valor chegou a R$ 17,1 milhões, um crescimento de 29% em relação a 2004. "O nosso DNA é de engenharia", define Gemignani. "Não temos guindastes, mas pessoas".
Com um portfólio que inclui projetos de usinas nucleares e termelétricas, refinarias de petróleo, petroquímicas, hidrelétricas, sistemas de transmissão de telecomunicações, indústrias automotivas, siderúrgicas e até mesmo a Passarela do Samba, no Rio de Janeiro, a Promon é responsável por investimentos de R$ 30 bilhões ao longo de sua história. Gerdau, Arcelor, Telefônica e Vale do Rio Doce são paenas alguns dos clientes que responderam por parte dos 136 projetos idealizados pela companhia no ano passado. Projetos que são conduzidos em um sistema de interdependência com construtoras como Odebrecht e Queiroz Galvão. "Fazemos parte de um ecossistema onde também convivem construtoras e fornecedores", diz Gemignani. "Seríamos inviáveis se tivéssemos dentro de casa todas as competências necessárias". É nesse sentido que a Promon não se apresenta como uma mera empresa de engenharia. Seu papel vai além. Na apresentação dos projetos, a empresa assume todas as etapas – desde o esboço de um prédio, por exemplo, até o acabamento. Para isso, vale-se de acordos com construtoras subcontratadas. "Passamos a tê-las como clientes", brinca o presidente. O inverso também tem ocorrido. Quando elas ganham alguma concorrência, procuram a Promon para o projeto de engenharia.
O segundo colocado no ranking é um habitué. Trata-se do Grupo Via Engenharia, vencedor do setor nas duas últimas edições de AS MELHORES DA DINHEIRO. Aos 26 anos de existência, a empresa atua nos segmentos de construção pesada e incorporação imobiliária. Mas foi o segundo nicho que trouxe os melhores resultados à construtora, que alcançou um faturamento bruto consolidado de R$ 306 milhões. A preocupação com a responsabilidade social e ambiental manteve-se forte na companhia. No ano passado, seus programas alfabetizaram 700 operários e atenderam 2 mil crianças de 14 instituições de caridade. A Companhia Queiroz Galvão deve ao seu bem-sucedido trabalho de internacionalização e de sustentabilidade financeira a terceira posição no ranking. Ao buscar novos mercados na América Latina e na África, a gigante da construção transformou-se numa gerenciadora de projetos. O resultado é que o faturamento do grupo alcançou R$ 1,1 bilhão no ano passado e deve chegar a R$ 1,5 bilhão em 2006. E pode alcançar ainda mais se o governo voltar a investir no País.
GESTÃO FINANCEIRA
EMPRESAS - PONTOS
Queiroz Galvão - 173
Egesa- 124
Cia. Técnica de Eng. Elétrica - 123
Via Engenharia – 121
Promon – 120
GESTÃO DE RECURSOS HUMANOS
EMPRESAS – PONTOS
Promon – 126
Galvão Engenharia – 125
CAM Brasil – 119
Ajusa Engenharia - 118
Via Engenharia - 110
GESTÃO SOCIAL E DE MEIO AMBIENTE
EMPRESAS – PONTOS
Via Engenharia – 102
Promon – 91
Gafisa – 87
Engevix Engenharia – 83
Norberto Odebrecht - 81
GESTÃO EM INOVAÇÃO E TECNOLOGIA
EMPRESAS – PONTOS
MÉTODO ENGENHARIA – 107
CAM Brasil - 101
Promon – 100
Via Engenharia – 98
Camargo Corrêa - 92
IstoÉ Dinheiro