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Método na Mídia
21/09/2006
Arquitetura da construção, agora com material ecológico - Diário do Comércio

Lojas especializadas e construtoras começam a comercializar e usar produtos sustentáveis

A recente onda de preocupação ecológica que envolve o destino do lixo e o uso dos recursos naturais, chegou ás casas e edifícios, mais propriamente nos itens de construção. Os pioneiros no uso dos chamados produtos sustentáveis são os proprietários de casas, mas, aos poucos, também as construtoras, mais por economia de custos do que por opção com o ecossistema, começam a enxergar valor nesses produtos alternativos.

Em São Paulo, há lojas especializadas em produtos sustentáveis que vão desde tijolos e telhas até tapetes e cortinas confeccionados com materiais recicláveis, que não agridem o meio ambiente. Uma dessas lojas é a Primamatéria, onde é possível encontrar tijolos fabricados sem queima, que preserva o uso de lenha; tinta à base de terra, sem pigmentos, com cartelas de oito cores; madeiras de ciclo rápido (de reflorestamento), como eucalipto e liptus; vigas plásticas, feitas de embalagens de produtos de limpeza, de xampu e de brinquedos velhos; e mais uma grande variedade de pisos, cortinas, tapetes e acessórios para decoração.

Segundo a arquiteta e uma das proprietárias da Primamatéria, Ivone Rocha, a demanda está em linha crescente, mas, por enquanto, as construtoras estão muito focadas em preço, no custo/benefício dos empreendimentos. Apesar de o mercado imobiliário vender muitos projetos com o prefixo "eco", são poucos, efetivamente, os edifícios que utilizam produtos sustentáveis na construção dos prédios e casas.

A Método Engenharia tem um envolvimento grande com relação ao meio-ambiente e sustentabilidade, diz o gerente de suprimentos da construtora, Angel Ibanez. Os fornecedores de madeira para a Método, por exemplo, têm de ter o "selo verde", que é o certificado que garante que a madeira é procedente de florestas planejadas. Ainda a construtora busca a certificação Greenbuilding, que consiste numa série de documentos que comprovam o uso responsável da madeira, o uso de água renovável (da chuva, por exemplo), a utilização de tintas com pouco ou nenhum solvente e até vidros que reduzem a necessidade do uso do ar-condicionado. Ibanez afirma que ainda falta a conscientização cultural ecológica nos consumidores.

A construtora adotou esses princípios por conta da responsabilidade social, diz Ibanez. Mas esse tipo de conscientização já é valorizado pelo mercado, afirma o gerente. Um fator limitador para a demanda de construções que levam em conta aspectos ambientais é o preço. A madeira certificada pode custar até 10% a mais que a não-certificada. Segundo Ibanez, em pouco tempo o Brasil deverá ter normas que exigirão essas providências nas construções. A Método emprega os princípios sustentáveis e de proteção ao meio ambiente nas suas quatro áreas de atuação: mercado imobiliário (residencial e comercial); industrial; hospitalar/hoteleiro; e em obras repetitivas (pequenas obras para empresas como Shell e Blockbuster).

De acordo com a definição de Ivone, da Primamatéria, "produtos sustentáveis são aqueles que, ao se analisar o seu ciclo de vida, o impacto ao meio-ambiente é menor do que o gerado pelos materiais convencionais", afirma. O impacto causado pela construção civil é grande, conforme a arquiteta, e as pessoas e empresas ainda não têm o costume de pensar nessa questão. A conscientização começa desde a escolha do terreno, com o aproveitamento dos próprios recursos e vegetação, até o uso de caçambas cadastradas para o descarte do entulho. Numa cidade como São Paulo, por exemplo, a maioria as caçambas é irregular, o que significa que não há compromisso das empresas em fazer o descarte do entulho em local apropriado.

O Instituto para o Desenvolvimento da Habitação Ecológica (Idhea), cujos princípios também seguem a busca por produtos sustentáveis e não-agressivos ao meio-ambiente, tem um banco de dados com mais de 1,2 mil ecoprodutos, diz o consultor e diretor Márcio Augusto Araújo. Esses produtos envolvem as indústrias da construção,a moveleira e a química.

Diário do Comércio


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