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Método na Mídia
Diretor da Método comenta sobre obras com construção acelerada
03/01/2010
Diretor da Método comenta sobre obras com construção acelerada

Qual é o limite?

Construir mais rápido não é desculpa para comprometer o desempenho das edificações. É possível reduzir o tempo de execução de obras, mas há limites.

Há dez anos, eram necessários de sete a 12 dias para fazer a desenforma de uma laje; hoje, o mesmo serviço é realizado em menos de cinco dias. Outro indicador de que as obras têm andado mais depressa se vê nas fachadas. A argamassa bombeada reduz em pelo menos 50% o tempo de abastecimento no andar.

Sem entrar no mérito do impacto dessa aceleração, o fato é que a linha que distingue a otimização, que é algo bem-vindo, e a correria desenfreada, sinônimo de obra malfeita, é bastante tênue. Existe um limite a ser respeitado? Como conciliar prazos mais curtos e métodos tradicionais de construção?

A resposta, segundo Thiago Melo Pedreira, gerente geral de obras da Even, está em um combinado de medidas que inclui tecnologia, processos bem definidos, mão de obra adequada para o uso correto de materiais e preservação de serviços acabados. "Temos de seguir o exemplo de outros setores produtivos", avalia.

O debate é ainda mais pertinente em momentos de reaquecimento de mercado e de produção intensa, como deve acontecer em 2010. A pressão da demanda tende a impor desafios ainda maiores em relação ao controle do ciclo de produção dos empreendimentos.

Para Ubiraci Lemes Espinelli de Souza, professor da Poli-USP e diretor da Produtime Gestão e Tecnologia, corre-se o risco de se incorporar, no segmento privado, práticas viciadas que caracterizaram as obras públicas. "As construtoras já entram atrasadas no processo de produção em relação ao projeto, levando-as a queimar etapas e improvisar demais", alerta o professor.

O engenheiro Jorge Almada, diretor da Unidade de Negócios da Método Engenharia critica a contratação da construtora na fase em que tudo já está definido. "Nesses casos, apenas a gestão e o planejamento rigoroso poderão influenciar o andamento do cronograma, muito mais com o objetivo de evitar atrasos do que propriamente para acelerar a execução", acredita.

Para a engenheira Maria Angélica Covelo Silva, diretora da NGI Consultoria, só é possível equilibrar velocidade de construção e qualidade quando as tecnologias são coerentes com os prazos e quando há planejamento e controle adequados. "O concreto tem o tempo de desenforma, de cura, e a estrutura precisa esperar os carregamentos nos prazos normais", alerta Maria Angélica.

"Não há qualidade que suporte o desaforo de não se respeitar prazos necessários em função da tecnologia."

Estratégia coordenada

Os ganhos tendem a ser maiores quando a troca envolve mudar o que antes era feito de forma artesanal por algo mais próximo a uma linha de montagem. "Soluções fabricadas fora do canteiro e que levam à industrialização acabam contribuindo para agilizar as obras e também para elevar o controle tecnológico", defende Jorge Almada.

Padronização de dimensões e especificações também pode influenciar positivamente o ciclo de produção. Algumas construtoras têm se utilizado desse expediente, como é o caso da Even, que padronizou as dimensões das estruturas de concreto de seus empreendimentos, permitindo que todas as obras adotem as mesmas tipologias de fôrmas e escoramentos. A construtora reduziu 28% o tempo do ciclo de concretagem por pavimento.

A logística é outro fator decisivo, tanto que, para muitos construtores, equipamentos como guindastes para içamento e elevadores de carga com maior capacidade tornaram-se essenciais.

Para isso, é preciso considerar a fluidez das operações no canteiro.

"Esses recursos, quando mal dimensionados, servem apenas para congestionar o ambiente", alerta Ubiraci Espinelli de Souza.

"O aproveitamento adequado de todos esses recursos tecnológicos está intimamente ligado ao planejamento", pondera Roberto Thá, diretor da construtora paranaense Thá Engenharia. Isso porque, segundo ele, esses equipamentos só são realmente úteis quando previstos nas fases iniciais do planejamento.

Gestão 360

A necessidade de aumentar a velocidade de execução das obras eleva também a dependência de planejamento (principalmente em logística), de compatibilização de projetos e de controle tecnológico. Por isso, embora seja inegável a importância dos aprimoramentos tecnológicos para a redução dos ciclos de produção, não é exagero afirmar que as soluções de maior impacto para equilibrar velocidade e qualidade estão relacionadas à gestão dos processos. A etapa inicial de projeto e planejamento pode significar a diferença entre a execução de uma obra com maior ou menor rapidez.

Para racionalizar o emprego do tempo, outra medida importante é dispor de todos os projetos da obra concluídos antes do início das obras. "Afinal, cerca de 45% dos atrasos de produção advêm de falta ou atraso de projetos", justifica o engenheiro Ricardo Alfeu, diretor da RKM Engenharia.

A capacitação da mão de obra e o alinhamento entre construtor e fornecedores são outros pontos cruciais para otimizar as operações. De acordo com mapeamento feito pela RKM, 25% dos atrasos que ocorriam em seus cronogramas eram provocados por falhas na logística de fornecimento de materiais.

Em suma, é preciso saber planejar. "Não basta usar o MS Project para fazer uma rede de atividades e serviços", diz Maria Angélica Covelo Silva. "Além disso, não adianta planejar se não houver controles, simulações de tendências do que está acontecendo com a obra e como se comportarão os prazos até o fim, com estratégias de recuperação a serem implementadas."

O gerente geral de obras da Even, Thiago Melo Pedreira, concorda e destaca a necessidade de se dar atenção especial à execução das instalações, impermeabilização e colocação de janelas, processos que dependem de testes de estanqueidade, compatibilidade de materiais e cuidados na preservação.

Tecnologias que ajudam a ganhar tempo Planejamento:

Uso do BIM (Building Information Modeling) e de ferramentas sket-up permitem visualizar a volumetria do prédio, simular diferentes soluções e criar um modelo digital integrado de todas as disciplinas.

Comunicação:

Smartphones e PDAs (Personal Digital Assistant) dentro dos canteiros permitem a comunicação instantânea com os escritórios.

Medição:

Equipamentos de medição a laser, GPS de topografia e outros aceleram a troca de informações que facilitam as decisões.

Equipamentos:

Andaimes de fachada tipo cremalheira e elevadores mais rápidos e com maior capacidade permitem ganhar tempo com a movimentação no canteiro.

Materiais e soluções construtivas:

Aditivos e adições para concreto, tubulação flexível, equipamentos para projeção de argamassa e de gesso, sistema de porta pronta e drywall são algumas soluções que agilizam a obra, sem implicar elevações exageradas de custos. Qualidade em xeque

A engenheira Maria Angelica Covelo Silva, diretora da NGI Consultoria, faz algumas recomendações para salvaguardar a qualidade das edificações mesmo diante da necessidade de se abreviar a duração das obras:

1 - Mapeie e desenhe os processos inteiramente, identificando as melhorias a fazer.
2 - Identifique mecanismos de gestão da qualidade que realmente agreguem qualidade.
3 - O sistema da qualidade deve ter a efetiva responsabilidade de todos os líderes de processos.
4 - Estabilize processos. Mudanças demais atrapalham o funcionamento de um verdadeiro sistema da qualidade.
5 - Verifique o nível de conhecimento tecnológico dos profissionais e busque condições de atualização e aperfeiçoamento constantes.
6 - Faça a avaliação dos prazos físicos de serviços e dos prazos técnicos.
7 - Faça treinamentos contínuos para evitar erros. Na engenharia um erro pode ser fatal.
8 - Estimule práticas de gestão com comunicação adequada entre os departamentos e retroalimentação de processos a partir de cada constatação de não conformidade.
9 - Aperfeiçoe o sistema da qualidade. Sistemas da qualidade burocráticos não servem para nada.

Construir mais rápido não é desculpa para comprometer o desempenho das edificações. É possível reduzir o tempo de execução de obras, mas há limites

Cinco princípios para agilizar a construção sem comprometer a qualidade

1 - Prazos mais curtos de execução costumam pedir mais industrialização e menos artesanato.
2 - Quanto mais exíguo for o cronograma de uma obra, maior será a demanda por planejamento e boa gestão.
3 - Nenhuma redução de prazo compensa a exposição dos trabalhadores a riscos de acidentes.
4 - Quanto mais curto o tempo de execução, menor será o tempo hábil para corrigir eventuais falhas.
5 - Obras mais breves podem até significar retorno financeiro mais rápido. Mas patologias construtivas e manutenção acentuada podem, ao longo do tempo, "comer" as margens de lucratividade e contaminar negativamente a imagem da construtora perante o mercado.

Sem atropelos

Apenas cinco meses bastaram para que o centro de distribuição da Hines para a Decathlon fosse construído em Embu, na Grande São Paulo. Com mais de 22 mil m², o empreendimento formatado no modelo build to suit pela Método, priorizou o uso de soluções industrializadas, como pilares de concreto pré-moldado, e de custo competitivo, como a alvenaria estrutural utilizada no prédio administrativo. Mas o que foi realmente decisivo para imprimir boa velocidade à obra foi o planejamento, avalia o diretor da Unidade de Negócios da Método, Jorge Almada.

O executivo conta que, nesse caso, a construtora pode ser muito mais do que "meros braços", podendo auxiliar o empreendedor com sua expertise na área de planejamento e gestão.

CD Hines - Decathlon


Local: Embu (SP)
Construção: Método
Arquitetura: Dupré Arquitetura
Área construída: 22.140 m²

Fôrmas e escoramentos

Durante a construção do edifício Spa Spazio Dell'Acqua em Belo Horizonte, o ciclo de execução da estrutura foi reduzido de sete para cinco dias por laje. O resultado foi obtido graças à mudança do sistema de fôrma e escoramento e à adoção de bombas de recalque do concreto até os pavimentos mais altos. O empreendimento ganhou também com a padronização das lajes conformadas com cubetas plásticas, reaproveitadas em outras obras da Even na capital mineira. "A execução da estrutura das torres foi reduzida em dois meses, sem comprometer os requisitos de qualidade e de resistência final do concreto", garante o engenheiro Thiago Melo Pedreira, gerente geral de obras da empresa em Minas Gerais.

Spa Spazio Dell'Acqua


Local: Belo Horizonte
Construção e incorporação: Even
Arquitetura: Dávila Arquitetura
Projeto estrutural: Avilla Engenharia e Estruturas Ltda.
Fôrmas: Mega forma
Escoramento: Rohr
Cubetas plásticas: Astra
Área total construída: 63.688 m²

Efeitos colaterais

Patologias e outros problemas que costumam acometer obras realizadas com correria desmedida

Destacamento de revestimento

A não aplicação de dupla colagem ou o desrespeito aos limites mínimos de cura da argamassa podem resultar em descolamento de placas.

Patologias em estruturas

Deformação, fissuras, rachaduras e, em casos mais extremos, colapso estrutural podem ser consequências de desrespeito aos prazos de cura e antecipação dos carregamentos sem escoramento.

Infiltrações e vazamentos

Suprimir etapas da execução de sistemas de impermeabilização, como o não arredondamento de cantos vivos, ou negligenciar os intervalos mínimos de aplicação entre demãos dos produtos são erros graves.

Operários em risco

A pressão por produção em níveis inviáveis é fator de estresse e desmotivação das equipes. Sem contar que pode levar os operários a deixar de lado os procedimentos de segurança e induz ao assédio moral.

Transtornos do canteiro

Obras com prazos de execução mais apertados tendem a empregar uma quantidade maior de máquinas. Isso exige um estudo mais apurado sobre o impacto ambiental da obra e a adoção de medidas de neutralização de danos, especialmente ruídos.

Desempenho comprometido

A padronização de processos e insumos pode gerar impactos positivos no cronograma das obras, mas precisa ser bem dosada. As esquadrias representam um exemplo claro disso. Um produto adequado para um edifício residencial no Rio Grande do Sul não apresentará o mesmo desempenho quando empregado em Pernambuco.

Revista Téchne

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