Definitivamente entramos na era dos prédios verdes, ou dos "Green Buildings", como tanto se tem comentado. Também pudera, já era mesmo o tempo. Afinal a arquitetura brasileira sempre andou na frente, aliás este é um orgulho brasileiro com todos os méritos (sem dúvidas, os nossos arquitetos são muito mais criativos) e , agora, podemos dizer ainda que estão muito mais atentos.
Na esteira deste novo cenário, o setor de esquadrias deve encontrar, nos próximos anos, talvez seu papel mais importante, desde quando o alumínio assumiu a vanguarda nos sistemas construtivos. Como principal aliada do segmento da construção civil, as esquadrias de alumínio tornam-se, a partir deste momento, o elemento-chave para a definição de um projeto tecnicamente sustentável.
A contribuição do setor de esquadrias de alta performance, seja como o elementar fechamento de vãos, portas ou janelas termo-acústicas, fachadas monoblocos, sistemas unitizados, ou na estruturação de células de captação de energia solar, painéis fotovoltaicos, as esquadrias assumem posição de irrefutável destaque na concepção dos prédios verdes. E, o que precisa ficar claro desde já e que os fabricantes de esquadrias precisam entender exatamente o que significa toda essa nova tecnologia.
Não é uma onda, é muito mais que isso: trata-se de nível de maturidade social, que vai além do enfoque ético comercial. A sustentabilidade é um conceito de gestão que define o caráter das pessoas e das empresas envolvidas em uma construção, sejam fornecedores, compradores ou financiadores do negócio. E, por isso, nesta fase dos acontecimentos, a questão da sustentabilidade não depende de Lei, e sim muito mais de atualização com os novos paradigmas da Construção Civil. Os impactos que o mercado da construção civil deixa ao planeta os imensos. O setor é responsável por até 35% das emissões de CO² diretas ou indiretas em todo mundo; as edificações no Brasil consomem cerca de 21% de toda a água tratada, 42% da energia gerada e geram cerca de 70% dos resíduos.
Os fabricantes de esquadrias, serralheiros, arquitetos e construtores precisam tomar ciência dos dados do Green Building Council Brasil cujo número de empreendimentos registrados junto ao USGBC para obter a certificação LEED (Leadership in Energy and Environmental Design) cresce exponencialmente e o movimento da construção sustentável já faz parte da agenda mundial. De duas uma: ou as empresas do mercado se atualizam ou vão ficar obsoletas em um futuro próximo.
Façamos um breve e justo registro sobre esta questão. Pois, como pode enganosamente transparecer, uma obra sustentável nada tem a ver com obra de "alto padrão" como se costuma dizer por aí. Um padrão mais elevado da obra, pode sim, atrair mais adeptos na partida do conceito Green Building, apenas por razões culturais, mas o conceito se aplica genérica e democraticamente em qualquer projeto bem elaborado. Aliás, uma obra nem precisa nascer "Green", ela pode tornar-se "Green" através das técnicas de Retrofit, isto é, uma construção antiga pode ser inteiramente remodelada na sua concepção arquitetônica, aproveitamento de água, energia e uso dos compartimentos. Nestes casos, as esquadrias de alumínio, especialmente as fachadas envidraçadas com estrutura de alumínio (fachada cortina) são elementos decisivos para a transformação eficaz do projeto, para que possa inclusive chegar a ser classificado como uma reforma que resulte numa construção "Green Building".
E sobre as esquadrias, o que precisamos enfatizar é que o mercado de obras sustentáveis pressupõe a utilização de esquadrias adequadas à proposta. Isso está muito mais relacionado às questões de qualidade das peças, da adaptabilidade à obra e da imprescindível obediência às normas e especificações técnicas do produto.
Passa necessariamente pelos aspectos de estanqueidade, vedação acústica e isolamento térmico. As esquadrias e os sistemas construtivos brasileiros têm evoluído muito, portanto não será difícil um enquadramento "Green Building" à altura das necessidades que forem se apresentando. Mas é preciso muita disciplina dos fabricantes.
Hoje, no país, há mais de 200 empreendimentos registrados pleiteando a certificação LEED em vários estados brasileiros, buscando reconhecimento oficial (a previsão é ultrapassar 300 empreendimentos até o final deste ano). Destes, cerca de 38 empreendimentos já forma certificados no Brasil.
As principais indústrias que desenvolvem perfis de alumínio que compõem "linhas" de esquadrias e fachadas (conhecidas como empresas sistemistas) já se posicionam no mercado brasileiro com opções de conjuntos tecnicamente preparados para atender o conceito "Green Building". Um exemplo formidável onde a tecnologia do alumínio está presente de forma ousada, foi desenvolvida pela Hydro Alumínio, líder mundial em sistemas construtivos, aplicadas no Conjunto Rochaverá Towers, caracterizada por volumes assimétricos, com uma arquitetura marcante pela disposição de fachadas de inclinação negativa. Construído na Capital Paulista, é um dos primeiros empreendimentos do país a obter a certificação nível Ouro, na classificação da Leadership in Energy and Environmental Design – United States Green Building Council.
Também operação no Brasil, a Schüco (Schüco International KG) desenvolve e comercializa sistemas completos de alumínio, assim como projetos alternativos de captação aproveitamento de energia em todo o mundo. A empresa oferece um amplo portfólio para todos os segmentos da fachada do edifício, seja para projetos comerciais como para residenciais. O sortimento inclui sistemas para janelas, portas, fachadas, skylights e tecnologia solar. Com o slogan que se tornou missão coorporativa da empresa o Projeto Energy2 possivelmente figura entre os mais sofisticados do mundo em matéria de viabilidade e sustentabilidade.
Em geral as grandes empresas, estão muito mais atentas do que normalmente se imagina. A Alcoa, maior fabricante de perfis (maior sistemista) do Brasil é uma indústria com um vasto portfólio de soluções destinadas a servir obras com proposta "Green Building".
A Belmetal que opera em conjunto com a CBA Companhia Brasileira de Alumínio (Grupo Votorantim) possui uma unidade de negócios que trata exclusivamente do desenvolvimento de obras sustentáveis. Como uma forte rede nacional, acessível aos fabricantes de esquadrias brasileiros, a Belmetal disponibiliza conceitos de esquadrias de altíssima performance técnica operando juntamente com seus parceiros, arquitetos e construtores.
A Asa Alumínio, através do Instituto Asa, ingressou recentemente no mercado de obras sustentáveis. A empresa que dispõe da maior e mais bem equipada indústria da extrusão do país, vem se destacando no desenvolvimento de sistemas de esquadrias com canais de Câmara Européia, uma solução tecnológica que permite maior versatilidade para compor tipologias e melhor isolamento térmico e acústico das esquadrias de alumínio, imprescindível para o bom desempenho de um "Green Building".
Óbvio que seria um erro tentar induzir os fabricantes de esquadrias brasileiros a trilharem pela obsessão da conformidade plena, certificações e coisas do gênero. O advento "Green Building" leva muito mais em consideração a tendência, a adesão ao conceito, do que a adoção pura e simples por uma mera sustentabilidade, e até perdoável que o fabricante de esquadrias conheça e não pratique, do que, guardadas as devidas proporções e, mais grave seria, praticar sem conhecer os motivos.
Na Europa, é recente a adoção da NBE-CT 79, que trata da adequação das esquadrias às condições térmicas dos edifícios novos ou a serem reformados. Estas condições devem ser alcançadas por meio da limitação do valor do índice de transmissão de calor dos elementos que formam o envelope do edifício (K, em W/m² °C). Estes índices, expressos em tabelas, variam conforme a zona climática onde o edifício está localizado e brevemente deverá ser um exemplo a ser seguido no Brasil.
O mais importante nesse momento é que a indústria de esquadrias, o fabricante, o serralheiro e, o setor de um modo geral, comece a se preparar por demandas de sistemas construtivos que atendam níveis de performance e sofisticação com suficiente condição para compor uma obra "Green Building".
Alumi News