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Método na Mídia
Boom da construção causa gargalos
13/07/2008
Boom da construção causa gargalos

 

Boom da construção causa gargalos

Boom da construção causa gargalos

O casal Ana Maria e José Pedro Fonseca, a AGV Campinas Empreendimentos e a Hobeika Arquitetura e Engenharia enfrentam, atualmente, os mesmos problemas: a dificuldade em encontrar mão-de-obra especializada para a execução de serviços de construção civil e a readequação de prazos para o fim desses trabalhos em decorrência da demora na entrega de insumos do setor. Soma-se a esse quadro a alta do custo dos materiais que sofrem as pressões dos aumentos das commodlties e do forte crescimento do setor. Os custos da área subiram 6,55% no acumulado deste ano no Estado de São Paulo, conforme levantamento do Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e índices da Construção Civil (Sinapi) realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em parceria com a Caixa Econômica Federal (CEF).

Em Campinas, um termômetro do setor da construção civil, a média mensal de aprovação de metros quadrados de novos projetos, teve uma elevação de 83% em 2008, passando de 107 mil metros quadrados no ano de 2007 para 196 mil metros quadrados no primeiro semestre deste ano. O ritmo forte de alta dos negócios provocou também uma grande demanda por mão-de-obra, que não estava preparada para ocupar tantas vagas de trabalho e com a qualificação desejada pelos empregadores. Apenas nos últimos cinco meses, a construção civil abriu 2.714 postos de trabalho com carteira assinada em Campinas.

Especialistas do segmento acreditam que a própria indústria da construção civil e a cadeia de fornecedores não estavam totalmente preparados para alta acelerada da demanda e nem imaginavam que a expansão dos negócios seria tão rápida como aconteceu. Agora todos têm que se reestruturar diante desse novo cenário. A palavra planejamento ganhou espaço nas salas dos executivos que projetam volumes de compras e antecipam pedidos para evitar imprevistos indesejáveis, como a paralisação de uma obra por falta de insumos ou de mesmo de trabalhadores.

Mesmo com esses cuidados, o setor tem que fazer uma reengenharia para minimizar os impactos de aumentos de insumos e do custo de contratação de mão-de-obra. Empresários afirmam que a todo momento estão refazendo contas. O arquiteto Marcelo Hobeika diz que a escassez de profissionais força os empreiteiros a realinhar preços com freqüência. "No decorrer da obra, com a falta de pessoal, o executor do trabalho é obrigado a procurar mais profissionais no mercado e os valores das remunerações estão elevadas. O problema é que o orçamento já foi passado para o cliente. E dificilmente dá para renegociar os valores", revela.

Hobeika afirma que o mercado passa por um momento em que a expansão é forte, contudo começam a surgir entraves. "Há uma escassez de mão-de-obra. E também de prestadores de serviços e insumos", comenta. Ele diz que fornecedores de materiais de acabamento prorrogam os prazos de entrega de produtos como metais, cerâmica, granitos e bancadas. O arquiteto salienta que "todos esperavam por uma ampliação dos negócios no mercado de construção civil, mas não imaginavam que o ritmo seria tão acelerado". Ele relata que já atrasou a entrega de uma obra em decorrência dos gargalos vividos atualmente nesse segmento.

O engenheiro civil e gerente de obras da AGV Campinas Empreendimentos, loteadora do Swiss Park, Silvio Mendonça, acredita que o período de recessão do mercado de construção civil provocou uma fuga dos profissionais mais experientes para outros setores. "Outro problema é o fato de que a formação de profissio

nais dessa área diminuiu. Não há cursos específicos. E há que se ressaltar a necessidade de uma formação empírica e o setor passou por uni período de recessão que durou quase uma década", pondera. Ele cita que é difícil encontrar no mercado diferentes profissionais como carpinteiro e ajudantes. "Tivemos que nos adaptar. Contratamos uma empresa terceirizada para a execução desse trabalho e ela forma os seus profissionais", pontua.

Siderurgia

Mendonça destaca que o abastecimento de alguns insuetos registra atrasos justamente em decorrência do aquecimento do setor. "O aço, além de ter sofrido uma alta de preços, ainda tem um gargalo no prazo de entrega. Os pedidos feitos diretamente no setor siderúrgico podem ser atendidos em 90 dias. Outro setor que passa pelo mesmo problema é o de concreto. As concreteiras estão sobrecarregadas de pedidos. Não houve um sumiço de uma mercadoria. O que existe é o prolongamento do prazo para entrega frente aos habituais anteriormente negociados no mercado", explica. Para evitar problemas futuros, o engenheiro afirma que a empresa faz um planejamento do que será utilizado em seus projetos. "Antecipamos as aquisições de insumos para garantir o abastecimento", afirma.

 

Correio Popular


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