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Método na Mídia
18/07/2008
Falta o toque final

 

CONSTRUÇÃO CIVIL

Aquecimento do setor provoca desabastecimento de produtos usados no acabamento das obras.

Depois do cimento, agora o problema já atinge itens como cerâmica, pisos e revestimentos

O risco de desabastecimento no setor da construção civil aumentou. Depois de faltar cimento, agora chegou a vez dos pisos, revestimentos e cerâmica. Lojas em Brasí)ia demoram até 45 dias para entregar o produto, caso não o tenham em estoque. Os fabricantes dizem que não há motivo para desespero. O segmento está investindo no aumento da capacidade produtiva. A preocupação, no entanto, é de que o descasamento entre oferta e demanda provoque alta de preço. Sem contar que o cronograma de entrega de edifícios residenciais e comerciais pode ficar comprometido. A solução, então, é planejar para concluir a obra sem graves percalços.

Duas das principais empresas da área de pisos e revestimentos, a Portobello e Eliane, colocaram o pé no acelerador nos investimentos para ampliar a produção. Segundo o gerente de expedição da Portobello, Sérgio Marques, há pedidos com entrega prevista para dezembro. "Muitas pessoas construíram paredes e agora precisam de pisos, louças e metais Em 2007, faltou cimento. Agora pode ser a cerâmica", afirmou.

A limitação das fábricas está relacionada a capacidade produtiva elevada e não há falta de matëriaprima. No caso da Portobello, oferta atual é de 1,6 milhão de metros quadrados de cerâmica poi ano, sendo que a demanda chega a 1,9 milhão. "Estamos investindc em novos fomos. Com isso, atingiremos dois milhões de toneladas até dezembro", destacou. Afábrica possui três lojas em Brasília. A franqueada Thânia Lacerda disse que, no ano passado, a entrega da material para acabamento acontecia em, no máximo, 15 dias. Agora, são necessários até 45.

A Eliane Revestimentos, pot exemplo, concentrou a produçãc em dois pólos Santa Catarina e Bahia e, com isso, dobrou seu potencial. "No pólo Nordeste, estamos triplicando a capacidade produtiva. Tudo isso é para evitai desabastecimento de nossos produtos", contou o diretor comercial da empresa, Rogério Langoni de Souza. "Não há dúvidas do forte aquecimento. Isso é mais clara no varejo e nas grandes incorporadoras, que abriram capital", disse. O aumento da demanda pode ser comprovada pelos números da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) que mostram que, somente em maio, foram entregues 22.069 unidades o maior valor em 20 anos.

Antecipação

Langoni de Souza identificou ainda que várias empresas estão antecipando pedidos para garantir a mercadoria e preços. "Nossa preocupação é grande em evitar um desabastecimento. Estamos trabalhando para que isso não aconteça." Esse é o caso das construtoras da capital federal. O presidente da Federação das Indústrias do Distrito Federal (Fibra), Antonio Rocha, proprietário da Anrrossi Construtora, disse que, para conseguir cumprir prazos e não perder dinheiro com mão-de-obra ociosa, está planejando, criteriosamente, cada detalhe da obra. Pois, com a falta de produtos no mercado, qualquer erro no cálculo pode significar um custo elevado. "Se não houver planejamento, o construtor e o pequeno consumidor podem ter problemas. Hoje se faltar produto existe a possibilidade de não encontrar a mercadoria na quantidade necessária."

O diretor da Leroy Merlin na capital federal, Fernando Marques, reforçou que sua loja tem estoque para disponibilizar imediatamente. O problema, porém, é a mercadoria sob encomenda.

"Tem produtos mais específicos que vão demorar um pouco mais para chegar ao consumidor. Tudo depende da fábrica", contou. Ele recomenda que o consumidor faça compra antecipada para não interromper o andamento das obras. Já o vendedor Francisco Hércules Romão de Oliveira, da Delta Pisos, localizada em Taguatinga alertou que a demanda na loja tem sido puxada pela construção de condomínios em Vicente Pires e o prazo de entrega pode chegar a 45 dias para cimento, argamassas e cerâmica.

O problema maior da demanda aquecida de material de acaba-mento, conforme o vice-presidente da Fibra, Ricardo Caldas, é que o descasamento entre oferta e demanda deve provocar reajuste nos preços. Além disso, a entrega de apartamento pelas construtoras pode atrasar. "De fato começou a faltar produto para acabamento. A tendência é de que a indústria aumente a produção, mas vai levai um tempo para que essa equação seja resolvida"; destaca Caldas.

O aumento de preço destacado por Caldas já é visto em vários produtos, a exemplo do cimento. O vendedor Romão de Oliveira afirmou que a saca de 20 quilos do material era vendida por R$ 6,50 na semana passada. Agora, esse valor saltou para R$ 7,90. A Votorantim, principal produtora de cimento do país, vai investir R$ 750 milhões no Centro-Oeste R$ 300 milhões emNobres (MT) e R$ 450 milhões em Sobradinho (DF) para impedir desabastecimento pontual como aconteceu no ano passado na região. Essa medida pode impedir pressões adicionais no valor do cimento.

Correio Braziliense

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