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Método na Mídia
06/06/2009
Nova vida a velhos prédios - Jornal da Tarde

Cine Marabá, na Avenida Ipiranga, indica que o retro pode ser opção em áreas centrais

Como fazer com que um cinema da década de 1940 mantenha o clima da Cinelândia paulista, que abrigava salas de exibição no eixo da Avenida São João, no Centro, e, ao mesmo tempo, criar um cinema moderno Por meio deumretrofit, tipo de reforma que moderniza ou modifica o uso da edificação sem, no entanto, alterar sua estrutura.

Essa solução pode ser impulsionada pela valorização de preços de terrenos para novos empreendimentos, quando o preço da reforma é compatível com o retro fit pode ser uma solução para revitalização do Centro da cidade o da construção de uma nova; e pela valorização de regiões na cidade, onde a falta de terrenos inviabiliza a manutenção de prédio santigose a reforma aproveita o potencial do imóvel.

Outro uso do retrofit pode ser o de revitalizar áreas centrais, ao reformar imóveis tombados pelo Patrimônio Histórico, como o projeto de reforma e restauro do Cine Marabá, reaberto na semana passada na Avenida Ipiranga. Oobjetivo da construção erarestaurar as características do edifício da é poca e modernizá-lo,porém, mantendo a fachada, piso do hall e cor de colunas, solicitações do Departamento do Patrimônio Histórico.

Para isso, o procedimento foi cirúrgico. No piso, por exemplo, foi retirado o granito por cima do parque, e, nas colunas do hall de entrada e mezanino, foram retiradas cerca de dez camadas de tintas até ser encontrada a cor original, bege. Apesar de nenhuma parede poder ser derrubada, outras foram construídas. A maior mudança foi a divisão da antiga sala de cinema. A platéia inferior foi dividida em três salas e, a parte superior, em duas. Ou seja, o que era uma sala com 1.655 lugares virou cinco com 1.022. A mesma coisa aconteceu com a cabine de projeção, que é, ao mesmo tempo, interligada, pois é possível passar uma cópia do filme em duas salas, simultaneamente.

Como a modificação de uso está ligada ao Plano Diretor da cidade, e o tombamento às exigências técnicas de órgãos municipais ou seja: dependem de aprovação da Prefeitura, o trâmite pode se estender. O projeto de renovação do Cine Marabá, tramitou por três anos para atender às especificações técnicas.

Ret rofit pode ser feito em imóveis residenciais, mas deve ser aprovada em assembléia

Tendência internacional, o retrofit começa a aparecer na cidade, após ser utilizado em maior escala no Rio de laneiro, pois os edifícios de lá são, em média, mais antigos e já atingiram 50 anos. Para que haja necessidade de retrofit, os prédios devem ter pelo menos de 20 a 30 anos. Na cidade, eles se concentram em bairros tradicionais, como Higienópolis, além da região da Avenida Paulista, e caminha para bairros como Morumbi e Moema.

Angélica Arbex, gerente da Lello Condomínios, diz que a revitalização geral, que inclui atualização elétrica e hidráulica da edificação e inclui acessibilidade, é a mais comum em edifícios residenciais. "Em condomínios de alto padrão, com atualização de fachada e até mobiliário, estimamos que a valorização é de cerca de dez vezes o que foi investido. Ou seja, uma obra que custe R$ 5 mil por condômino pode valorizar o imóvel em R$ 50 mil."

Porém, ela lembra que.pelo altocusto,a reforma vale para condomínios em áreas valorizadas e sem terrenos. "Fora isso, podem serfeitas obras menores, como atualização hidráulica."

Adecisão pela reforma será decidida em assembléia, e a empresa de arquitetura faz um mapeamento de intervenções. "Dentro dos apartamentos, elas geralmente são rápidas, de cerca de um mês, e dizem respeito principalmente à colocação de novos pontos de rede elétrica. Geralmente, são três reuniões até chegar a um consenso. A partir daí, inicia-se a arrecadação."

Em um prédio comercial de oito andares e poucas unidades em frente ao Parque Ibirapuera, o Panorama, a mudança de uso para residências passou por um projeto de integração da área so ciai com o entorno, e varandas foram criadas. "Como edifício comercial na região, ele perdeu a razão de ser e transformou-se em prédio residencial com apartamentos de alto padrão", descreve Paulo Sérgio de Oliveira, diretor da Método Engenharia, responsável pela reforma.

O síndico Marcos Couto, 48 anos, conta que optou pela reforma quando a fachada de duas torres com 36 unidades na Rua Cardoso de Almeida, em Perdizes, começou a estufar após 16 anos. Como conseqüência, os acabamentos, em pastilhas, começaram a cair. "Não achávamos pastilhas iguais até que resolvemos trocar por cerâmica moderna. Depois, também resolvemos modernizar o térreo e o hall com porta automática e mobiliário."

Couto constatou uma valorização das unidades de 30% a 40% apósareformaemudançano perfil dos moradores. "Atraímos mais jovens, poise difícil ter grande áreadelazernaregião, eforam vendidos dez apartamentos", afirma. A reforma foi feita durante quatro anos e custou R$ 25 mil. O arquiteto Sérgio Athié lembra que o retrofit pode atualizar prédios comerciais com a colocação de piso elevado, renovação do sistema de ar condicionado e colocação de sprinters, além de luminárias de alta eficiência, substituição de pontos elétricos e forros removíveis. maior problema de prédios antigos são vidros simples, sem antirruído. Além disso, para o uso de computadores é necessária uma carga elétrica compatível e distribuição de cabeamento."

Jornal da Tarde

 

 

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