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Método na Mídia
20/05/2009
Segmento industrial volta a crescer a partir de março - Valor Econômico

Depois de um primeiro trimestre fraco, sem menção a novos projetos, o mercado de construções industriais começa a dar os primeiros sinais de reaquecimento. Na dianteira dessa retomada - ainda lenta - está o setor de bens de consumo. Empresas como Colgate-Palmolive, Kopenhagen e Boticário investem para otimizar a logística e distribuição de seus produtos.

Enquanto a indústria pesada (papel e celulose, cimento, mineração) continua sem tirar os planos do papel, companhias de alimentos e higiene pessoal, ancoradas pelo consumo interno, partem para a construção de novas unidades ou de grandes centros de distribuição. "Tudo o que está relacionado direta ou indiretamente com consumo interno está mais movimentado", afirma Juan Quiros, presidente do grupo Advento, que está construindo a nova fábrica da Kopenhagen e começa a construir esta semana o novo centro de distribuição do Boticário.

A Bracor, empresa que tem como sócio o megainvestidor imobiliário americano Sam Zell, fechou contrato com a Colgate para a construção da fábrica e do seu maior centro de distribuição da América Latina, que somarão uma área de 65 mil metros quadrados de área construída - num dos poucos projetos sob medida (build-to-suit) feitos este ano no mercado. A nova unidade ficará no parque industrial de 120 mil m2 que a Bracor está estruturando em parceria com a EcoRodovias na confluência da Imigrantes e a porção sul do Rodoanel, em um investimento total de R$ 120 milhões.

Há um mês, a Bracor entregou a fábrica brasileira da Firmenich, multinacional suíça de perfumes e aromas. A Bracor fatura R$ 200 milhões (dado anualizado, considerando a receita mensal atual), mas não informa dados do ano passado. "Houve uma desaceleração do mercado, quem estava em vias de fechar contratos prorrogou, mas a partir de março e abril, começou a melhorar", diz Carlos Betancourt, presidente da Bracor.

Os maiores contratos do grupo Advento, que possui quatro empresas do setor industrial, incluindo a construtora Serpal, também estão nessa área: a empresa está fazendo o novo centro de distribuição do Boticário, em um projeto de R$ 85 milhões, em Registro (PR); a fábrica da Kopenhagen em Extrema, sul de Minas (cujo investimento é de R$ 70 milhões); e a ampliação do Shopping Higienópolis, em São Paulo, que terá nova ala de 33 mil metros quadrados, em um negócio de cerca de R$ 50 milhões.

No primeiro trimestre, o grupo Advento, que tem o Credit Suisse como acionista minoritário, cresceu 27% em relação ao mesmo período do ano passado, justamente por conta dessas obras. Para o ano, a estimativa é fechar com faturamento de R$ 800 milhões, contra R$ 580 milhões em 2008.

A realidade, agora, é outra. A construção de um centro de distribuição é mais rápida e menos complexa do que a de uma fábrica e, proporcionalmente, mais barata. "Mas a construção é mais rápida, na faixa de seis meses, e o fluxo de caixa é maior", diz Quiros. O que acontece, por outro lado, é uma sofisticação dos projetos existentes. "A Colgate será o primeiro prédio industrial com selo de certificação verde", afirma Betancourt. A fábrica da Kopenhagen terá um sistema de ar condicionado que controla a umidade e a temperatura para aumentar a produtividade e evitar o desperdício. "Estamos investindo em uma fábrica com tecnologia diferenciada", diz Fernando Vichi, vice-presidente financeiro do grupo CRM, que reúne Kopenhagen, Dan Top e a marca popular criada este ano Brasil Cacau.

A Racional Engenharia está terminando o Shopping Vila Olímpia, projeto mais antigo, com entrega prevista para outubro, mas está negociando dois contratos novos na área de bens de consumo. "A construção industrial continua devagar, mas os setores ligados ao mercado interno sentem menos a crise", afirma Newton Simões da Racional Engenharia. A empresa vendeu R$ 620 milhões no ano passado e a estimativa para este ano é ficar em R$ 540 milhões.

Na mesma linha, a Método Engenharia está conseguindo compensar a paralisação de grandes obras industriais com uma área batizada de "fast", cujas obras (a maioria reforma) ficam prontas em 45 dias. A divisão respondeu 25% da receita da Método em 2008: R$ 122 milhões do total de R$ 488 milhões e deve manter os mesmos patamares este ano.

Um dos maiores clientes dessa divisão da Método é a Adidas, que está se preparando para a Copa de 2014 e adotando no Brasil três diferentes padrões de loja que possui no mundo. A empresa montou 10 lojas para a Adidas no ano passado e a meta este ano é chegar a 15 novas lojas. "Fechamos grandes contratos no segundo semestre do ano passado, antes da crise, o que nos possibilitou passar este começo de ano concretizando aqueles investimentos", afirma Jorge Almada, diretor da Método Engenharia. "A partir do final de abril começamos a sentir um movimento mais otimista", completa.

O diretor de construção da Associação Brasileira de Engenharia Industrial (Abemi), Edenir Veiga, confirma que o mercado ficou paralisado até março. "Continua devagar, mas começamos a ter uma nova percepção nos últimos vinte dias", afirma. "Resolvemos consultar nossos 115 associados para sentir melhor o que está acontecendo." Além de construtoras, a Abemi tem como sócias empresas, como Vale do Rio Doce e Petrobras. A consultoria Cushman&Wakefield faz um levantamento semestral do mercado de construções industriais. "Há uma retomada sutil. As empresas começam a olhar terrenos novamente", afirma Mario Sérgio Gurgueira, diretor da Cushman..

Valor Econômico


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