Existe uma tendência mundial de valorização dos prédios verdes. Nos Estados Unidos, por exemplo, a preocupação com o tema valoriza um imóvel considerado sustentável em torno de 20% no ato da revenda. Aqui no Brasil, a resistência em desenvolver projetos sustentáveis está no mito de que o investimento é muito alto. No entanto, um empreendimento sustentável traz benefícios inclusive do ponto de vista econômico, com redução das despesas operacionais a longo prazo. Além disso, alguns itens não provocam gasto adicional, exigem apenas planejamento.
Custo adicional
Ainda não há pesquisas no Brasil quanto à questão de investimento, pois existem poucos prédios verdes. "Mesmo os que já em-pregaram este conceito são recentes para podermos medir e chegar a um valor; explica Roberta Bigucci, integrante do grupo técnico Novos Modelos de Empreendimentos do Secovi-SP. Mesmo assim, podemos ter uma idéia de que a porcentagem deste gasto extra está em torno de 1% a 12%, de acordo com experiências de empresas que já aderiram à prática.
Dilnei Bittencourt, diretor da incorporadora Pedra Branca, diz que o empreendimento Pedra Branca construído em Palhoça, Santa Catarina, custou cerca de 4% a mais do que se não tivesse se preocupado com o meio ambiente e o bem estar dos usuários."Do ponto de vista de acréscimo é desprezível. Contando que 80% do gasto de um empreendimento é operacional, com a economia que um edifício verde proporciona, no final sai mais barato", avalia.
Para Roberto Kreimer, diretor da Kreimer Engenharia, o custo não é extra, •as outras construções que são mais baratas. "Hoje a sustentabilidade não é um diferencial, todos devem ter esses itens. Já está fazendo parta de nossa cultura e o mercado passa a exigira acrescenta Kreimer. Carlos Sisti, gerente de enf genharia da Bracor diz que o edifício Cid Nova, certificado pelo LEED, ficou em torno 5% a 10 % mais caro."O custo não importava, nosso objetivo era conquistar a certificação fizemos tudo que precisava'; acresta Sisti.
O primeiro empreendimento a ser certifica no Brasil, a agência do Banco Real da Gran Viana, ultrapassou esses valores e cheg3 um sobre custo de 10% a 15%. "Alguns erros foram cometidos, materiais que não Funcionaram tiveram que ser trocados, mas jrande parcela deste custo é a implementarão de alguns itens como energia solar, tra-:amento de águas usadas, que ainda hoje :alvez não sejam economicamente viáveis; fiz Nelson Kawakami, diretor executivo do Sreen Building Council Brasil. Ele afirma que formalmente o custo adicional é de 2% a 4% Dara empreendimentos residenciais e de 5 a 10% para comerciais.
Economia a longo prazo
Estima-se que em dois anos este investimento reposto, pois o custo operacional reduz consideravelmente. Nos empreendimentos'susentáveis já existentes foi verificáda uma economia de 30% na energia elétrica. Avaliando longo prazo se torna um negócio vantajoso, inclusive financeiramente. Kawakami dá um exemplo."Um imóvel residencial de R$ 150 mil sairia R$ 6 mil a mais. Se for financiado, repre-.enta R$ 25 a mais na prestação, sendo que vai gerar R$ 125 reais de economia em água, luz, rtc. No final, além do retorno, há lucratividade' caso da agência do Banco Real o retorno de mídia pagou a obra inteira. Por ser o primeiro prédio verde do país, ganhou espaços em veículos de comunicação que valem R$ 4 milhões e receberam mais de três mil visitas.
Análise de cada projeto
Nem todos os itens agregam custo ao empreendimento. "Por exemplo, o combate ao desperdício de materiais, uma atitude fundamental para a sustentabilidade, às vezes é ignorada. Ações voltadas ao controle da qualidade da execução dos serviços, o desenvolvimento de políticas avançadas de relacionamento com os funcionários (treinamento, conscientização e educação) e a informação e formação dos futuros usuários diz Ana Rocha, gerente de projetos da Método Engenharia.
Cada projeto pode ser analisado para identificar formas de aumentar a sustentabilidade, tanto ambiental, como social e econômica. Lucio Souza Soares, diretor adjunto de engenharia da WTorre concorda que alguns itens nem geram gastos extras."Tirando a parte de tecnologia, de sistemas, coisas práticas como fazer terraplenagem dentro do terreno, é uma prática sustentável e econômica"
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