No mercado desde a década de 70, a Método Engenharia defende a qualificação e a profissionalização
Nascida da parceria entre dois amigos de faculdade - na época estudantes da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP)- como uma pequena empresa de projetos, a Método Engenharia completa 36 anos com um total de 4 milhões de m2 concluídos e lucro líquido anual na casa dos R$ 14 milhões. Para contar um pouco sobre a trajetória da companhia, o presidente e um de seus sócio-fundadores, Hugo Marques da Rosa, concedeu entrevista à Construção&Negócios.
Construção&Negócios - Como se deu a criação da companhia? Hugo Marques da Rosa - Inicialmente, eu e o Victor Henrique Foroni [seu ex-sócio, atual CEO da Trump Realty Brazil São Paulo] tínhamos a ambição de estabelecer uma pequena empresa de engenharia para receber projetos e executá-los. Na época de fundação da empresa [1973], a economia brasileira passava por um momento excelente e conseguimos crescer de forma rápida, principalmente com obras para o setor público, nosso grande cliente. Passamos, então, a trazer para a construção civil as melhores práticas da indústria e, ao mesmo tempo, desenvolver relações de trabalho menos predatórias do que as características da época.
C&N - Como eram essas relações de trabalho?
Marques da Rosa - Naquele tempo, na construção civil, a organização de trabalho derivava das corporações de ofícios da Idade Média. Começando pelas nomenclaturas: mestre de obras, contramestre, oficial pedreiro, oficial carpinteiro. Depois, a dinâmica da organização estabelecia o trabalho sazonal, no qual migrantes, a maioria do Nordeste, deixavam suas famílias e locais de origem para ficar alojados na obra enquanto a mesma durasse, com regras disciplinares bem parecidas às das antigas senzalas, e aquela história de "senhor", "coronel" da "casa grande". Assim, quem tocava a obra era o mestre de obras, visto como o "capataz" das fazendas, e não o engenheiro, considerado como o "senhor". Este não podia colocar a mão na massa, só ia à obra para resolver um ou outro problema.
A figura central era o mestre de obras. Mesmo porque, os engenheiros recém-formados entendiam sabre termodinâmica, resistência de materiais e mecânica dos fluxos, mas não tinham a menor noção do que era comandar uma equipe de planejamento, organizar a produção ou executar uma obra.
C&N - Hoje em dia, os engenheiros estão mais preparados? Marques da Rosa - Ainda não 100%, mas vejo que já houve uma grande evolução. Na Método, para completarmos sua formação, promovemos cursos de aprimoramento profissional - como de sustentabilidade em projetos e de certificação -, viagens ao exterior, ida a teatros, concertos e exposições, justamente para que melhorem sua bagagem cultural.
C&N - Como a Método evoluiu de pequena empresa para grande companhia?
Marques da Rosa - Nos anos 80, a história do "milagre económico brasileiro" acabou e o governo precisou fazer um forte ajuste fiscal, praticamente encerrando a abertura de grandes obras. Vimos, então, que era necessário elaborar uma nova estratégia não só para sobrevivermos no mercado, como continuar nossos planos de crescimento. Buscamos criar um planejamento que se baseasse em qualidade, produtividade e flexibilidade, seguindo três caminhos simultâneos, ou seja, o desenvolvimento tecnológico, o de recursos humanos e o de gestão. Levamos ao trabalhador da construção o conceito de produção industrial, a profissionalização, aumentando a qualidade e produtividade de nossos projetos, além da possibilidade de flexibilizá-los de acordo com as necessidades do cliente. Mas é importante ressaltar que os profissionais tinham seu valor, porque na época você dava a planta de uma casa a um pedreiro e ele a fazia sozinho. 0 maior problema era que esse trabalhador não se sentia um profissional e, assim, não agia como tal. Então, todas as nossas medidas visavam retomar a auto-estima dos trabalhadores.
C&N - Como vê o segmento da construção civil hoje em dia? Marques da Rosa - Tivemos um grande avanço tecnológico no Brasil e as práticas de construção já são bem semelhantes às da Europa e dos Estados Unidos. Porém, ainda falta avançarmos nas questões de gestão e da cadeia produtiva. Foi feita uma pesquisa recentemente na qual se constatou que o setor que mais atrasa as entregas é o de materiais de construção, com uma porcentagem de quase o dobro em relação ao segundo colocado, que é o setor de serviços. A cadeia produtiva, assim, ainda tem muito por melhorar, porque essas questões de falta de profissionalismo tornam a gestão na construção civil muito mais difícil que em outros setores. Mas acredito que a tendência é o segmento se profissionalizar cada vez mais. c&N
Radiografia
Name da empresa: Método Engenharia
Localizaçáo: São Paulo
Site: vvwermetodo com.br
Principal executivo: Hugo Marques da Rosa [presidente]. Histórico: fundada em 1973, a Método possui R$ 4 bilhões em contratos somados nos últimos dez anos. Em São Paulo, é responsável pela execução do Hotel Unique, o primeiro Grand Hyatt da América Latina, a Torre Norte do Centro Empresarial Nações Unidas e a sede da Federação do Comércio do Estada de São Paulo. Respondeu pela construção de importantes edifícios comerciais em São Paulo e Rio de Janeiro, como, respectiva-mente, o Rochaverá e o Ventura, além de dois novos centros de distribuição para e Perdigão e várias obras para a nova fábrica de celulose da Votorantim Celulose e Papel em Trás Lagoas (MS], entre outras. Também atua fora do Brasil, nos mercados argentino e uruguaia.
Nascida da parceria entre dois amigos de faculdade - na época estudantes da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP) - como uma pequena empresa de projetos, a Método Engenharia completa 36 anos com um total de 4 milhões de m2 concluídas e lucro liquido anual
Expertise: gestão de projetos e engenharia.
Projetos finalizados: 4 milhões de m°,
Projetos premiados: Brascan Century Plaza e Unique Torre Norte.
Projetos em Andamento: 23.
Média de projetos realizados por ano: 6.
Número de funcionários: 308. Terceirizados, 1.332
(entre escritório e obras).
Critério pare a escolha de materiais de oonstroçáo: existe um pro-cesso de qualificação de fomecedores, voltado para prestadores de serviço, por meio de um sistema informatizado que analisa se o mesmo atende aos requisitos de qualidade da companhia. Na contratação, a empresa geralmente opta por parceiros que forneçam o material e a mão-de-obra conjuntamente, então, raramente, compra apenas materiais, com exceções, como, por exemplo, aço e concreto.
Construção & Negócios