O complexo Rochaverá Corporate Towers apresenta diferenciais ambientais, arquitetônicos e técnicos.
Idênticas, as duas primeiras torres entregues do complexo de escritórios Rochaverá Corporate Towers, localizado na Av. Nações Unidas, em São Paulo, exigiram um grande desafio estrutural por possuírem fachadas inclinadas. O complexo registra investimentos de R$ 600 milhões e possui pré-certificação ambiental Green Building. Além disso, recebeu o prêmio Prix d"Excellence 2008, na categoria especial Projeto Sustentável, concedido pela Federação Internacional das Profissões Imobiliárias (Fiabci), durante o 59° Congresso Mundial da entidade, em Amsterdan, na Holanda.
As torres entregues têm arquitetura arrojada e constituem a primeira fase do empreendimento. Cada uma possui 17 andares e 11 elevadores, sendo oito sociais, distribuídos em zona baixa e alta, um de serviço e outros dois que darão acesso às garagens. Os edifícios têm andares tipo com pé-direito de 2,8 metros e um vão livre de 11,5 metros.
As fundações dos prédios foram feitas em sapatas. O terreno, próximo ao rio Pinheiros, é pastoso e tem baixa resistência; por esse motivo, foram necessárias paredes diafragma de contenção atirantada. Assim, foi retirada a água dentro da caixa montada por essas paredes, sem interferir no solo vizinho, ou causando possíveis fissuras, já que não houve rebaixamento do lençol freático. A informação é do diretor de design e construção da Tishman Speyer, Luiz Henrique Ceotto. "Também tivemos sorte de a fundação do terreno ser, em grande parte, de rocha", completa o diretor.
As estruturas, segundo Ceotto, foram feitas em concreto armado com lajes nervuradas protendidas. Uma das faces dos edifícios, as fachadas, têm pilares inclinados, o que gerou um desafio técnico estrutural para a obra. "As estruturas foram bem boladas. Os pilares inclinados provocaram, nas lajes, intensa força de tração. Resolvemos essa tendência de tombamento através de um núcleo de rigidez (caixa fechada) no coração do prédio, nos elevadores e escadas, para agüentar o esforço dos prédios excêntricos e desequilibrados", explica. Devido aos vãos livres, não há pilares internos nos edifícios, garantindo máxima ocupação dos mesmos.
A geometria complexa exigiu um estudo de ventos. "O estudo foi realizado para medir os esforços tanto da estrutura quanto dos caixilhos da fachada. O trabalho foi desenvolvido pelo laboratório da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Segundo os resultados, os prédios aguentam aproximadamente 160 quilômetros de vento por hora", assinala Ceotto.
As fachadas receberam vidros laminados de alto desempenho para atender às exigências da certificação Leadership in Energy and Environmental Design (Leed). Elas também possuem uma parte em pré-moldado de concreto com granito fixado por pino. Os vidros foram colados com silicone estrutural em esquadrias de alumínio, que são visíveis apenas internamente. A fachada proporciona uma ampla iluminação natural interna e impede que o prédio receba demasiado calor externo. "Isso proporciona conforto térmico e economia de energia", diz. A parte pré-moldada foi adquirida para garantir maior produtividade à obra e proporcionar um efeito estético diferenciado.
Os revestimentos internos dos lobbies são em granito. Os banheiros receberam porcelanatos e os escritórios, urr forro de gesso removível, além de um piso elevado metálico, revestido em concreto e carpete, que proporcionou conforto acústico ao ambiente. "O piso elevado traz mobilidade maior e facilita a troca das instalações", garante.
Já a cobertura, de acordo com Ceotto, foi impermeabilizada e recebeu um jardim. "São 50 centímetros de terra com grama. Não é um lugar de convivência social. O objetivo foi fazer com que o prédio recebesse o mínimo possível de calor", afirma. Por se tratar de prédios sustentáveis, economizam cerca de 30% de energia em relação aos convencionais. Para garantir essa redução, foi utilizado o máximo de iluminação natural e automatização para deixar a luz acesa apenas onde e quando for necessário. Além disso, os prédios receberam elevadores inteligentes. "No elevador convencional, você aperta o botão e vai até o andar desejado. Nesse tipo de instalação, ao se cadastrar na portaria, recebe-se um crachá que indica o andar de destino. O cartão magnético, ao passar pela catraca de entrada aos ele. vadores, informa para qual elevador a pessoa deve se dirigir. Caso essa pessoa não queira embarcar imediatamente, basta que ela digite o andar no painel e outro elevador vire em seguida. O computador otimiza o transporte, assim os elevadores se locomovem menos", diz. Esses elevadoreE possuem, dessa forma, alto desempenho energético e têr um sistema de frenagem regenerativa, que permite a reuti lização de 20% da energia não utilizada.
Outra questão que envolve a sustentabilidade do empre endimento é a economia de água. A torre de refrigeração do ar-condicionado utiliza 40% da água de um edifício "Recolhemos a água que pinga desses equipamentos e utili zamos a da chuva para abastecer a torre. A água é filtrada e tem seu PH corrigido", explica.
O restante da economia vem dos vasos sanitários com bacia de duplo fluxo, das torneiras automáticas e do paisagismo, no qual foram utilizadas plantas de baixo consumo de água. Os reservatórios de água, localizados no subsolo, servem para regar as plantas e para a torre de refrigeração.
"Durante a obra, também fizemos tratamento de água e utilizamos materiais recicláveis, como, aço, madeira e argamassas, entre outros. Internamente, as portas e acabamentos receberam madeira certificada", explica.
Constituído por quatro torres de escritórios, o Rochaverá está sendo construído em um terreno de mais de 37 mil m2. As torres projetadas para o empreendimento totalizam 248 mil m2 de área construída. O destaque das instalações fica por conta do sistema próprio de cogeração de energia elétrica, capaz de atender a 100% da carga de todo o complexo, de forma ininterrupta. A operação integrada e o gerenciamento dos sistemas técnicos — como ar-condicionado, elevadores, telecomunicações e proteção contra incêndio — permitem que o empreendimento tenha o melhor aproveitamento de recursos como água e energia, com alta eficiência e baixo custo operacional.
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