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Método na Mídia
01/09/2008
Coordenador de obras - Revista Techne

Além de estar atento ao desenvolvimento das obras, profissional tem papel fundamental na negociação


Coordenador de obras, supervisor, gestor ou gerente de contratos - as denominações podem variar de empresa para empresa, mas as funções básicas desse profissional são as mesmas: supervisionar de perto a execução das obras sob suas responsabilidades, orientar as equipes residentes de engenharia, negociar os contratos com fornecedores e prestadores de serviços, garantir a qualidade final do produto, zelar pela obediência às normas de segurança no trabalho.

É esse o engenheiro que "roda" pelos canteiros durante a semana para acompanhar a execução dos empreendimentos. Nas reuniões periódicas com as equipes residentes, são discutidos a evolução do cronograma, o cumprimento do orçamento e outros problemas que eventualmente surjam ao longo da obra. "É um profissional que tem um papel preventivo, orientativo e decisório", afirma Flavio Staudohar, diretor de Recursos Humanos da Klabin Segall. Preventivo, porque ele deve se antecipar aos problemas que possam atrapalhar o desenvolvimento da construção. Orientativo, porque deve nortear as ações das equipes executoras das obras. Decisório, porque será dele a última palavra nas deliberações mais importantes de cada empreendimento.

Para atender às exigências do cargo, o coordenador de obras precisa apresentar certas competências técnicas e comportamentais. As técnicas são aperfeiçoadas com cursos de pós-graduação em Gestão e Planejamento e com a participação em congressos, seminários e outros eventos na área. Cursos rápidos de atualização tecnológica também são bem-vindos. Segundo Staudohar, esses são cursos que fornecem ao coordenador de obras ferramentas para realizar uma análise mais eficiente dos indicadores dos empreendimentos de que cuida.

Mais difíceis de serem avaliadas objetivamente, porém, são as competências comportamentais do profissional. Pessoas com liderança, bom relacionamento interpessoal, boa capacidade de comunicação e desenvoltura em trabalhos em equipe acabam sendo mais bem-avaliadas para assumir o posto. Na prática, o candidato ao cargo deve saber que precisará ter jogo de cintura para participar de exaustivas negociações com fornecedores e cobrar desempenho de suas equipes de engenharia. Como o coordenador é também um interlocutor entre o canteiro e o escritório da construtora, deve saber expor problemas e soluções de maneira clara tanto para seus superiores quanto para seus subalternos. Essa, aliás, é uma característica nova na função de Coordenador de Obras, como lembra Edna Manfrim Simões, consultora de Recursos Humanos da Método Engenharia. "Pela primeira vez se trabalha em equipe com subordinados, e não com pares. Por isso, é preciso que o profissional tenha personalidade", explica. Mas se essas características fazem parte da personalidade do profissional, são impossíveis de serem moldadas, certo? Errado - pelo menos na opinião de Staudohar. Para ele, eventuais deficiências nesses quesitos podem ser supridas com cursos na área de gestão de pessoal. "Um profissional não habituado a dar feedback a seus superiores pode ser condicionado a fazê-lo num curso desse tipo", acredita o diretor de RH da Klabin Segall.

Naturalmente, é necessária certa vivência profissional antes de assumir a responsabilidade de gerenciar diversas obras simultaneamente. De maneira geral, a trajetória básica começa para o recém-formado com a residência numa obra simples, de orçamento pequeno. Se concluída conforme o esperado, o engenheiro tende a seguir para uma obra de médio porte e, enfim, uma de grande porte. Só então ele é considerado maduro para ser nomeado coordenador. O tempo mínimo estimado para a conclusão desse ciclo é de cinco anos. "Mas o ideal, mesmo, é que o profissional tenha passado uns sete ou oito anos no canteiro", conta Staudohar. Segundo Edna Simões, tanto engenheiros quanto arquitetos são aptos para as funções de coordenação de obras e supervisão de projetos. Na Método Engenharia, o único pré-requisito para se pleitear o cargo de gerente de contratos - denominação do posto na construtora - é a certificação PMP (Project Management Professional), obtida após um rigoroso exame que avalia os conhecimentos do profissional sobre conceitos de administração e gestão de projetos.

Manuel Gonzalez, gerente de contratos da Setin Engenharia

O profissional

Como foi o início de sua carreira?

Tenho 23 anos de formado. Comecei como engenheiro-residente na Estacon Engenharia, depois Método Engenharia, onde fui promovido a gerente de obras. De lá, fui para a gerência de engenharia do grupo Notre Dame Intermédica, onde tomei contato com obras hospitalares. Hoje, estou na gerência de contratos da Klabin Segall/Setin.

Como você se atualiza profissionalmente?

Entre 1994 e 1996, fiz pós-graduação em Engenharia de Produção para Construção Civil. O curso concebia a construção civil como uma indústria, fazendo paralelos com a indústria mecânica. Além disso, fiz cursos de atualização rápidos em Tecnologia de Concreto, Gestão de Empreendimentos, e outros cursos que passam a visão administrativa-financeira da obra.

Quantas horas, em média, trabalha por dia?

No segmento imobiliário, principalmente em construções verticais, percebo que temos que construir mais andares, em prazos cada vez menores. Por isso, nossa jornada diária começa freqüentemente às 7h00 e vai até às 19h00 nos dias de semana. Além disso, precisamos estender o expediente aos sábados, trabalhando das 7h00 às 15h00, aproximadamente. Cada fim de semana visitamos uma obra.

Como é o seu dia-a-dia?

Na fase de planejamento da obra, participo, junto com o pessoal de orçamentos, suprimentos e planejamento, da elaboração das cartas-convite para realizar as contratações. Nos empreendimentos em andamento, o meu papel é o de interlocutor entre a obra e o escritório central. Converso com a equipe de cada obra e levo os problemas para discutir com o diretor técnico e as outras áreas da construtora. Toda semana, tenho uma agenda de visitas às obras, de modo que o pessoal do escritório sabe exatamente em que obra vou estar a cada hora de cada dia da semana. Nessa agenda de compromissos, pelo menos um dia é reservado para visitar o escritório central, para a reunião com os outros departamentos da empresa.

Quais as maiores dificuldades no dia-a-dia?

O que acontece hoje é atípico, é a primeira vez que vejo o mercado tão aquecido. Com essa demanda crescente, enfrentamos escassez de materiais e equipamentos. E temos que tomar muito cuidado com os materiais para a execução da estrutura de concreto armado, que dita o ritmo da obra. E há problemas com o fornecimento de aço e com atrasos em concretagens. E isso implica atrasos no cronograma das obras, que dificilmente será recuperado depois. Portanto, o grande desafio é planejar com bastante antecedência os contratos, fazer os pedidos 30, 40 dias antes, senão o mercado é cruel com você.

Do que você mais gosta em sua função?

Da formação de equipes. Ver um estagiário começar na empresa, acompanhar o trabalho dele evoluir e depois vê-lo realizar uma obra. Outra experiência interessante por que passei foi liderar um programa de alfabetização de funcionários das equipes de produção do canteiro. Essa capacitação acaba também revertendo em benefícios para a empresa, muitos se tornam ótimos encarregados ou mestre-de-obras. Além disso, não há monotonia no trabalho - como eu acompanho várias obras simultâneas, cada uma em uma fase distinta, um dia é diferente do outro.

Currículo

Atribuições: colaboração na concepção do empreendimento, supervisão do cumprimento do cronograma e do orçamento, orientação às equipes de engenharia residentes nas obras, negociação com fornecedores

Formação: graduação em Engenharia Civil ou Arquitetura; desejável pós-graduação em Gestão de Projetos

Cursos: Gestão e planejamento, liderança, comunicação

Experiência: cinco anos, no mínimo

Disponibilidade: até 12 horas diárias nos dias úteis, expediente também aos sábados

Aptidões: conhecimentos em planejamento e gestão, liderança, comunicação, bom relacionamento interpessoal e desenvoltura para trabalhar em equipe

Remuneração inicial: de R$ 7 mil a R$ 12 mil

Bibliografia indicada: PBok Guide Revista Techne

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