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Método na Mídia
10/08/2008
Descubra seus pontos fortes - O Estado de São Paulo

Dois novos livros tratam do tema, mostrando como ter sucesso na profissão com o autoconhecimento

Neste mês as livrarias recebem duas obras que tratam exatamente do mesmo tema: a descoberta dos próprios talentos. Dos pontos fortes, das melhores habilidades, para serem usados particularmente na vida profissional e na construção da carreira em qualquer empresa ou setor. Um dos livros chama-se As competências das pessoas, de autoria de Cláudio Queiroz (veja mais detalhes em texto nesta página). O outro tem o nome de Descubra seus pontos fortes (Editora Sextante), dos norte-americanos Marcus Buckingham e Donald O. Clifton. Neste caso, trata-se de uma obra baseada num exaustivo processo de pesquisa do Instituto Gallup em cerca de 30 anos, quando realizou vários estudos sobre o tema da descoberta das habilidades pessoais, ouvindo no total quase 2 milhões de pessoas no mundo todo.

O livro inclui como parte importante um teste feito via internet (após a inserção de um código que vem impresso em adesivo na contracapa do livro), envolvendo 34 temas, chamados "talentos" (veja alguns em quadro nesta página). Conforme o consultor do Gallup no Brasil, Sérgio Pais, o teste agora apresentado é a segunda versão elaborada pelo Gallup. Na primeira, eram 120 temas. "Não são só características relativas ao ambiente corporativo ou à carreira, mas sim em relação à vida em geral ", explica Pais. O estudo praticamente começou no fim da década de 50, segundo Pais, quando o instituto recebeu uma encomenda de um cliente pedindo um trabalho de comparação em relação a seu produto - um método de leitura dinâmica - ao de seus concorrentes. Foram então entrevistados estudantes que no final foram separados em dois grupos: os de nível médio de leitura dinâmica, com 150 palavras por minuto; e os acima da média, com 350 palavras por minuto. "Mas em nova pesquisa com os mesmos grupos, tempos depois, vimos que houve melhoria geral", diz Pais. Os primeiros passaram a 50 palavras/minuto e o segundo (acima da média) a 2,9 mil/minuto. "Era um desenvolvimento claro que não sabíamos bem de onde tinha vindo", explica o consultor do Gallup. A partir daí então o instituto resolveu fazer uma megapesquisa, que inclui vários levantamentos paralelos durante mais de 30 anos, em torne do tema da descoberta dos pontos fortes .

OS PONTOS FRACOS

Ao lado de descobrir os pontos fortes, está também a necessidade de desenvolver aquelas habilidades que ainda deixam a desejarem relação ao que o mercado profissional exige. E nesse sentido se podem listar algumas exigências que são comuns atualmente a qualquer empresa.

Conforme a gerente de RH para Parcerias Educacionais da IBM Brasil, Sirlene Toledo, há dois traços hoje que são básicos e necessários possuir: boa capacidade de se comunicar e de relacionamento pessoal. "Acho que essas duas características dão condições para desenvolver outras que são importantes também, como empatia, atitude positiva e pró-ativa; e flexibilidade." E, para ela, quem não tiver algumas das habilidades que hoje são importantes deve procurar desenvolvê-las sem esperar que a empresa o faça. "A carreira tem de estar nas mãos do indivíduo sempre". Ela diz ainda que os lati-nos tendem a delegar muito e acabam fazendo isso com a carreira inclusive: "Não é deixar a vida me levar na administração da carreira". Mas Sirlene faz questão de enfatizar que no mercado há lugar para qualquer tipo de profissional: "Se eu acho que não vou conseguir ser bom em algo, procuro saber no que sou forte e direciono minha carreira nesse sentido".

Aproveite a avaliação interna

Executivo diz que esses testes são ótimos feedbacks

Paulo Sérgio Oliveira é diretor da UN Método Fast, área da construtora Método. Ele tem mais de 20 anos de experiência como executivo e já aos 28 anos ocupava a segunda posição em uma empresa. Pouco tempo depois, na mesma empresa, passou,ao comando. E engenheiro civil de formação e diz que ao longo de sua carreira "as coisas foram acontecendo" e a certa altura ele identificou "um certo gap", referindo-se ao reconhecimento de que precisava desenvolver certas habilidades que não tinha.

Uma delas foi a habilidade comercial, mas especificamente ligada a ferramentas de marketing industrial, o que o levou a fazer três cursos. "Aprendi tanto que hoje dou aula sobre o tema em cursos". Outro traço pessoal que hoje ele considera entre os mais fortes que possui é a capacidade de planejamento: "E era mais um ponto que eu não tinha desenvolvido e tive de fazê-lo", diz Oliveira. Fazer cursos específicos, incluindo MBA, foi uma das formas que ele encontrou ao longo da carreira para o desenvolvimento. A outra forma foi aproveitar ao máximo os resultados que lhe eram mostrados sobre si mesmo nos vários testes de avaliação de desempenho pelos quais passou nas empresas onde trabalhou: "Acho que esses testes são excelentes oportunidades porque muitas vezes se depende de um input de cima para reagir", diz ele, enfatizando que essas avaliações periódicas são "ótimos feedbacks". Atualmente, Oliveira está passando por um processo desses, de avaliação, conduzido por uma consultoria externa. E a terceira vez que ele passa por um processo similar em sua carreira. E na Método, desta vez, ele explica que foram elencadas 20 características que resultaram num mapa grupai dos diretores da empresa. "Cada um tem acesso aos próprios resultados e com esse mapa o executivo tem ajuda para se colocar melhor e a desenvolver o que reconhece não estar bem nele", diz Oliveira, explicando que no seu próprio caso ele identifica que ainda falha em relação à flexibilidade: "Acho que tenho de trabalhar isso, aprender a ouvir mais, compartilhar e ser mais flexível para avaliar alternativas ao que penso."

OLHAR PARA DENTRO

No mundo ocidental, não é muito comum que se tenha a prática da auto-análise, segundo a diretora de RH para parcerias internacionais da IBM Brasil, Sirlene Toledo. "Gostamos da postura de olhar para fora e não damos prioridade ao olhar interno." Para tanto, sugere perguntar: No que sou bom? De que eu gosto? "Parece um ato simples, mas de fato não é. Só que é essencial hoje em dia para construir uma carreira de sucesso."

O Estado de São Paulo

 

 

 

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