Voltar para a página inicial
Entrar em contato
 
Método na Mídia
15/07/2008
Inclinação para o verde - Revista Arquitetura e Urbanismo

As duas primeiras das quatro torres do conjunto rochaverá corporate towers acabam de ser concluídas. construídas na marginal pinheiros junto a outros edifícios de escritórios de alto padrão, reúnem expressividade arquitetônica, tecnologia e certificação de sustentabilidade.

Volumes assimétricos e justapostos, implantação em ângulos não ortogonais, alta tecnologia, paisagismo exuberante e filosofia focada na sustentabilidade são características marcantes do mais novo complexo de escritórios de São Paulo, o Rochaverá Corporate Towers. Iniciativa da Tishman Speyer, o projeto arquitetônico leva a assinatura do escritório Aflalo & Gasperini, e se destaca no skyline da cidade dado o perfil inusitado de seus edifícios. Implantado na região da Marginal Pinheiros e Avenida Eng. Luis Carlos Berrini, o empreendimento ocupa um terreno de aproximadamente 34 mil m² com três frentes, a principal delas voltada para a avenida Nações Unidas, junto à Estação Morumbi da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) e aos shoppings Morumbi e Market Place.

Com investimento total da ordem de 600 milhões de reais, o Rochaverá surge reforçando a tendência dos prédios verdes construídos ultimamente, de acordo com as normas exigidas pelo Green Building Council (organização norte-americana já instalada no Brasil) com a pré-certificação na categoria Gold, segundo o sistema norte-americano LEED (Leadership in Energy and Environmental Design).

Serão quatro torres totalizando 228 mil m² de área construída, dos quais 120 mil m² de área locável. As duas primeiras são idênticas e designadas por A (a ser entregue em setembro deste ano) e B (concluída e já ocupada por várias empresas), somando 113 mil m² construídos, 58 mil m² desses locáveis. A área de laje dos prédios cresce a cada pavimento, começando com 1.642 m² no primeiro andar até 1.976 m² no 16o. As duas torres se destacam pela inclinação de nove graus de uma das fachadas, o que resultou na projeção de 12 m, criando um efeito estético elegante e harmonioso.

Além da intenção formal, a solução apresenta razão econômica, pois os andares superiores, normalmente mais valorizados devido à vista e à redução dos ruídos, tornam-se ainda mais rentáveis com o aumento das dimensões. Segundo o arquiteto Roberto Aflalo, o propósito foi "utilizar várias linguagens arquitetônicas, estabelecendo um diálogo harmônico entre elas e fugir do óbvio". A torre C terá 28 pavimentos e a D somente oito, já reservados para as instalações da empresa Dow Chemical Company e suas subsidiárias.

Cada pavimento, que pode ser usado por até quatro empresas, tem um lease span (distância entre o plano das fachadas e o núcleo central) de 11,40 m, livre de colunas. O lease span alcança 21,30 m na face inclinada do último pavimento.

Nesse núcleo estão instalados oito elevadores sociais e um de serviço, além das escadas de emergência, sanitários e dependências para telecomunicações, instalações elétricas, hidráulicas, de ar-condicionado e de combate a incêndio.

Os ambientes de trabalho, com 2,80 m de pé-direito, possuem flexibilidade de layout em função de pisos elevados de 15 cm e forros suspensos. De acordo com a necessidade de cada empresa poderão ser instalados sanitários e copas privativas em prumadas de água e esgoto localizados na periferia das torres.

O lobby, no térreo, com pé-direito de 6,74 m, além de recepção e catracas, tem onze elevadores (oito sociais distribuídos em zona baixa e alta, um de serviço e dois de acesso às garagens).

O complexo será dotado de 3.446 vagas de garagem instaladas em três subsolos nas torres A e B, quatro subsolos nas torres C e D, além de um edifício-garagem de cinco pavimentos. A área total construída para estacionamento é de cerca de 120 mil m², o que implica a oferta de uma vaga para cada 35 m² de área locável.

DESLOCAMENTO HORIZONTAL

A inclinação de 12 m produziu grandes forças horizontais, que, segundo o engenheiro Mario Franco, responsável pelo cálculo estrutural dos edifícios do conjunto Rochaverá Corporate Towers, projeto do escritório Aflalo & Gasperini, precisaram ser controladas. "Calculamos que o deslocamento horizontal do topo devido a essa inclinação dos pilares é de 6 cm, o que implicou a necessidade de providenciar folgas nos caixilhos e nos painéis pré-moldados de concreto", explica.

Outra dificuldade relacionada ao cálculo estrutural decorreu das dimensões generosas dos vãos livres do lease span. "Utilizamos uma estrutura totalmente protendida, com nervuras de 39 cm de espessura, distanciadas 60 cm entre si, com o que foi possível anular as deformações nos andares." Sob essas nervuras passam todas as instalações, deixando espaço suficiente inclusive para os dutos de ar-condicionado e assegurando um pé-direito livre de 2,80 m. A carga considerada para as lajes é de 300 kg/m², prevendo-se, para uma área próxima ao núcleo central, uma carga de até 1.200 kg/m² para arquivos mais pesados.

MENOR CONSUMO, MAIOR CATEGORIA

O conjunto de torres Rochaverá Corporate Towers, desenhado pelo escritório Aflalo & Gasperini Arquitetos, apresenta o que há de mais moderno em termos de tecnologia, aliado a um paisagismo diferenciado constituído por áreas verdes e praças arborizadas, privilegiando o convívio e o bem-estar de seus ocupantes e freqüentadores.

Telecomunicações, ar-condicionado inteligente e proteção contra incêndio são alguns destaques do complexo de edifícios que, para obter o selo do Green Building Council deve atender a quatro principais exigências: redução do consumo de energia e dos custos operacionais e de manutenção; diminuição do uso de recursos ambientais não renováveis; melhora da qualidade do ar interno dos edifícios.

O ar-condicionado, com volume de ar variável (VAV) permitirá a adequação da temperatura aos diversos pontos dos andares. O destaque das instalações do Rochaverá fica por conta do sistema próprio de co-geração de energia elétrica, capaz de atender a 100% da carga de todo o complexo, de forma ininterrupta. Os elevadores, com antecipação de chamada nos andares, indicarão ao usuário qual a cabine a ser utilizada.

"Fundamentalmente, um edifício é tão sustentável quanto mais econômico ele for em relação ao consumo de energia e de água", declara Luiz Henrique Ceotto, diretor de projeto e construção da Tishman Speyer.

O projeto de instalações do Rochaverá também prevê o reúso de águas pluviais para irrigação dos jardins: um dos destaques do empreendimento. Criado pela arquiteta californiana Pamela Burton e executado pelo arquiteto Silvio Santana, o paisagismo ocupa 30 mil m² do terreno privilegiando a circulação de pedestres, com árvores de grande porte distribuídas pelo espaço, além de espelhos d'água e cascatas. Haverá ainda um acervo de artes a céu aberto, com obras de artistas renomados expostas em meio aos jardins. "O projeto baseou-se no conceito de ter o máximo possível de áreas verdes, de modo que a qualidade de vida e a saúde no trabalho sejam prioridades fundamentais e perenes", conclui o arquiteto Roberto Aflalo.


DADOS TÉCNICOS

Área do terreno: 33.515 m²
Potencial construtivo: 4 x 33.515 m² = 134.060 m²
Projeto: 233.704 m² de área construída
Área carpete: 120.000 m²
Concepção inicial: 2000
Desenvolvimento do projeto: 1ª etapa - 2006 (torres B + A)
2ª Etapa - 2008 (torres C +D)
Início da obra: maio de 2006
Previsão de término da 1ª etapa: março de 2008 (torre B); setembro de 2008 (torre A) torres A e B
Número de pavimentos: três subsolos; térreo; 16 tipo; três andares mecânicos; heliponto
Área de laje-tipo: 1.642 m² a 1.976 m²

Ficha técnica

Projeto arquitetônico: Aflalo & Gasperini Arquitetos - Gian Carlo Gasperini, Roberto Aflalo Filho, Luiz Felipe Aflalo Herman

Equipe projeto

Coordenação da equipe (2005 - 2006): Eduardo Martins Ferreira e Fátima Moreira
Equipe (1998 - 2002): Vânia Tapias, Maurício Petrosino, Adriana de Souza, Isabel Garcia, Rogério Bueno, Takuji Nakashima
Equipe (2005 - 2006): Camila Hisi Kaleyama, Camila Roma, Gabriela De Léo, Karen Priscilla Schotsck De Abreu, Marcela Monetti De Moraes, Meire Negami, Raquel Valdívia, Renata Arnostti, Renata Mendes
Equipe (1998 - 2002): Geane Kaori Natsumeda, Cyntia Hara, Roberta Rondino, Aquiles Accocella, Rubenval Pereira, Flavio Garcia, Mariene Kitano Sassaki, Carlos André Esteves, Rebecca Tosta, Jonatas Olim, Carolina Barbosa, Luiz Tadashi
3D: Reginaldo Okusako, Aleks Braz, André Becker, Paulo Katz, Bruno Lucchese, Marcelo Nagai, Arthur Moniz, Lucas Bond
Incorporação: Tishman Speyer
Projeto de acústica: Acústica e Sônica
Assessoria aeronáutica: HR
Projeto de automação predial: MHA
Projeto de caixilharia: AEC Consultores
Projeto de comunicação visual: UND
Construção: Método Engenharia
Projeto de ar-condicionado, drenagem, instalações e combate a incêndio: MHA
Projeto estrutural: JK & MF
Projeto de estrutura metálica: Kurkdjian Fruchtengarten
Fundações e terraplenagem: Consultrix
Impermeabilização: Proassp Assessoria e Projetos
Luminotécnica: Studio IX
Paisagismo: Pamela Burton
Paisagismo e plantio: DW/Santana
Pavimentação: Monobeton
Tráfego: Michel Sola Consultoria
Vedações: Addor
Consultoria de ar-condicionado: Teknika Projetos e Consultoria
Consultoria de automação e telemática: Bosco & Associados
Consultoria de elevadores: Empro
Consultoria de fachadas: Stamp
Consultoria de green building: Sustentax
Consultoria de hidráulica e elétrica: Ditec
Consultoria de combate a incêndio: Ofos
Consultoria de combate a incêndio-Norma NFPA: Coronel Secco
Consultoria de legislação: Levisky Arquitetos Assossiados

Revista Arquitetura e Urbanismo

 

 

 

Arquivos Relacionados

<< voltar
XY2 Agência Digital
Praça Professor José Lannes, 40 - Ed. Berrini 500 - 1º andar - Brooklin Novo - São Paulo - SP - Brasil - telefone (11) 5501-0000 fax (11) 5501-0101