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Método na Mídia
20/05/2008
Turismo encoraja estrangeiros - Valor Econômico - Especial Mercado Imobiliário

Maior número ce viagens a lazer e de negócios tanto do mercado nterno quanto do exterior atrai novos empreendimentos

A construção civil está se hospedando novamente no setor de turismo, que encara, nos últimos dois anos, um forte processo de ampliação e renovação do segmento hoteleiro. Depois de um período de excessiva oferta, no inicio desta década - principalmente de flats -, os hotéis urbanos, em particular, passaram a ser insuficientes para atender ao crescente fluxo de viagens, tanto de lazer quanto de negócios. "O Brasil vive um momento único, com um mercado interno intenso e muito interesse por parte dos turistas estrangeiros", conta Ricardo Suarez, vice-presidente de aquisições e desenvolvimento para a América Latina da Starwood. "E a economia brasileira, além de ser a mais importante da América Latina, está muito mais estável, o que garante segurança a investimentos de longo prazo", acrescenta. E, de fato, investidores nacionais e internacionais parecem encorajados em colocar dinheiro em praticamçtqodás as modalidades, de hotéis urbanos a resorts, do mais

alto luxo às alternativas mais práticas e econõmicas.

As opções mais em conta, aliás, foram a motivação maior do grupo francês Accor, que se juntou à WTorre para construir e operar mais 20 hotéis das bandeiras Ibis e Formule 1 até 2011. Serão investidos R$ 500 milhões, com participação de 20% da Accor e 80% da Wtorre. "Procuramos nesse segmento um produto compatível com a realidade econômica e social brasileira: hotéis econômicos de alta qualidade e tecnologia, localizados em cidades com mais de 1 milhão de habitantes", explica Solano Neiva, diretor-superintendente da WTorre. Serão 13 unidades com a bandeira Ibis e sete com a Formule 1, em 11 cidades (Brasília, Curitiba, Fortaleza, Manaus, Palmas, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador, São Luiz e São Paulo).

Já a construtora Método, a pedido de uma rede hoteleira internacional, vai por outro caminho, para explorar as possibilidades de alto padrão. Porque também no luxo a capacidade está quase esgotada. Seu problema atual é achar um terreno para levantar um cinco-estrelas superior - o que não está sendo fácil, de acordo com Roberto Rocha, diretor da unidade de negócios para hotéis e hospitais. "Há vários terrenos na cidade que são disputados para a construção tanto de hotéis quanto de escritórios." Na mesma faixa, a consultoria Cushman & Wake-field está assessorando duas redes asiáticas de hotéis seis-estrelas que querem entrar na América Latina, nos próximos dois anos, pela porta das grandes cidades brasileiras. "A taxa de ocupação e as diárias dos hotéis urbanos aumentaram consideravelmente, o que desencadeou a expansão desse mercado", observa Mordejai Goldenberg, vice-presidente executivo para a América do Sul da Cushman.

A Starwood, há 30 anos no Brasil, com três hotéis da marca Sheraton e dois Four Points, está consultando investidores para novos empreendimentos. Um deles, em São Paulo, com sua bandeira St. Regis, outros dois com a marca W Hotels (São Paulo e Rio de Janeiro) e, ainda sem definição, com o nome Aloft - marca que a empresa está lançando mundialmente este ano para competir no segmento quatro-estrelas. A Starwood tem também interesse por hotéis de lazer no Nordeste, com as bandeiras Sheraton e Le Méridien.

Essa hotelaria de lazer é outra modalidade em franca expansão. Quase sempre no Nordeste, é alvo do interesse, especialmente, de investidores espanhóis, portugueses e escandinavos. A região já não apresenta apenas suas praias maravilhosas, mas pode oferecer ainda as facilidades de acesso: é possível contar

com vários vôos diretos entre a Europa e o Nordeste. A maior parte dos novos empreendimentos refine um conjunto de casas e apartamentos com resorts. Os investimentos nesse tipo de empreendimento ficam em torno de R$ 100 milhões, mas podem chegar a R$ 1 bilhão. A maior dificuldade para tocar o projeto, porém, nem chega a ser o dinheiro, mas o tempo de análise do impacto ambiental, lembra Luis Gonzaga Soares Mayor, diretor de desenvolvimento turístico-imobiliário da empresa de consultoria CB Richard Ellis. Há planos de investimento de cinco anos atrás que só agora estão saindo do papel. Mas ele pondera: "Os órgãos estatais brasileiros ainda estão aprendendo a trabalhar com a situação, à medida que as experiências vão aparecendo".

A Método está desenvolvendo dois projetos desse tipo em Pernambuco e no Rio Grande do Norte (com prazo total de sete anos) e um terceiro, com inauguração prevista para 2010, em Aracaju, feito para a companhia de turismo CVC. A CB Richard Ellis está assessorando e buscando parceiros para o desenvolvimento de um empreendimento de R$ 750 milhões a cerca de 25 quilômetros de Fortaleza, com um hotel em construção, da bandeira portuguesa Dom Pedro, e mais 11 terrenos para abrigar novas unidades, além de condomínios residenciais, em uma área total de 285 hectares. O empreendedor é o consórcio luso-brasileiro Aquiraz Investimentos.

Apesar da preferência pelo Nordeste, nem São Paulo escapa dessa modalidade de empreendimento. Está sendo desenvolvida pela construtora JHSF a Fazenda Boa Vista, em Porto Feliz, a 86 quilômetros da capital. Inclui o primeiro hotel de campo da marca Fasano e 75 residências. O hotel, que será de uso exclusivo de residentes e seus convidados, terá 26 apartamentos. A JHSF se associou à família Fasano no fim de 2006 e adquiriu participação majoritária nos hotéis Fasano de São Paulo e Rio de Janeiro, que, segundo Eduardo Camara, vice-presidente da JHSF, estão registrando taxas de ocupação excelentes. No do Rio, inaugurado em agosto do ano passado, com perfil de negócio e lazer, elas superam 80%. No hotel de São Paulo, voltado predominantemente para turismo de negócio, o nível de ocupação chegou a 81,3%.

Valor Econômico - Especial Mercado Imobiliário


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