Construtoras e entidades defensoras do meio ambiente costumam estar em lados opostos. O setor consome quase 40% da matéria-prima extraída da natureza pelo homem, o que o faz, de imediato, alvo dos ambientalistas. Mas o engenheiro Hugo Marques da Rosa, presidente da Método Engenharia, transformou as possíveis divergências em parcerias. A relação com os ecologistas vem da década de 90, quando integrou o conselho do Greenpeace. E se mantém porque o empresário considera a sustentabilidade um conceito indissociável do futuro dos negócios.
De acordo com o executivo, duas iniciativas ambientalmente corretas deverão responder por 25% do faturamento da construtora até 2010. A Método prevê fechar 2007 com receita recorde de 570 milhões de reais. "A participação dos nonos negócios poderá ser até maior, se considerarmos o tamanho dos mercados que queremos explorar", diz. O primeiro deles é o das usinas de biocombustíveis.
Segundo dados da União da Indústria Canavieira de São Paulo (Única), os investimentos em usinas de etanol no Brasil chegam a 17 bilhões de dólares. Do montante, até 30% deverão ser gastos para erguer instalações e realizar a montagem de equipamentos. "Tudo isso é serviço de engenharia", lembra o empresário.
"Há um novo tipo de investidor interessado em usinas de produção de etanol e biodiesel, com um perfil mais profissional que o do fazendeiro que deseja apenas agregar valor à lavoura de cana-de-açúcar", explica. "Para esse público, é interessante contratar obras com valor e prazos garantidos, com um seguro de performance capaz de lastrear o financiamento da obra".
A outra aposta é no conceito de administração predial sustentável. "A vida útil das obras é muito longa, no mínimo de 50 anos, o que torna as edificações muito desatualizadas tecnologicamente", diz Rosa.
A empresa enxerga um filão nas reformas para tornar as edificações ambientalmente corretas e na futura gestão dos sistemas verdes. "Se considerarmos que há menos de 1% de prédios sustentáveis no País, nosso mercado potencial são os outros mais de 99%", afirmar o diretor de desenvolvimento e novos negócios da Método, Fernando Ferreira. Ele assumiu a área recém-criada com a missão de identificar tendências de mercado e formatar modelos de negócios.
É na capacidade de aliar as análises macroeconômicas à preocupação com a natureza que Rosa aposta o futuro da empresa. "Precisamos saber para onde o dinheiro vai correr", diz o empresário. "Mas a preocupação ecológica tem de ir da extração da matéria-prima até o processamento dos produtos, a construção das obras e a demolição", sintetiza.
Com essa postura, Rosa conquistou a simpatia dos mais ferrenhos defensores do meio ambiente. "São poucos os exemplos de empresários com a consciência ecológica tão aguçada", atesta o diretor-executivo do Greenpeace do Brasil, Frank Guggenheim. O sucesso dos planos da Método vai mostrar se Rosa se contentará em surfar na atual onda imobiliária ou realizará a proeza de fazer da profissão de fé uma fonte de lucros.
Carta Capital