Preços de áreas mais disputadas sobem até 40% em um ano
O crescimento acelerado do mercado imobiliário já provoca a falta de terrenos para construir novos empreendimentos. Na disputa pelas áreas que são o filé mignon para o setor na cidade de São Paulo, os preços dos terrenos já subiram até 40% em um ano. Para tornar os empreendimentos viáveis e brecar a especulação imobiliária, construtoras e incorporadoras fecham parcerias para adquirir uma mesma área.
"O desafio hoje em São Paulo é encontrar um terreno que torne viável o projeto", diz o diretor de Edificações Imobiliárias da Método Engenharia, Ricardo Guedes. Ele observa que a procura de terrenos supera a oferta nas principais capitais do País, do Rio de Janeiro ao Ceará. Por isso, destaca, há construtoras e incorporadoras se associando na compra de áreas e nos empreendimentos para acabar com o leilão.
A maior procura por terrenos reflete o aumento da produção de imóveis, especialmente depois que um grande número de companhias abriu o capital na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Desde 2005 até hoje, 17 empresas do setor foram ao mercado e arrecadaram R$ 12,4 bilhões com a venda de ações, segundo cálculos apresentados pelo diretor do Secovi de São Paulo, Celso Petrucci. Agora, essas empresas precisam executar os planos apresentados para os investidores.
Neste ano, a Método, por exemplo, tem contratada a execução do equivalente a R$ 200 milhões entre imóveis residenciais e comerciais. Em 2006, foram R$ 80 milhões. "Já temos muitas consultas para novas construções em 2008."
O quadro é semelhante na Schahin Cury, que tem contratado para este ano um volume recorde de empreendimentos em 40 anos da empresa. Serão construídos o equivalente a R$ 800 milhões em Valor Geral de Vendas (VGV), ante R$ 350 milhões em 2006. O foco dos negócios é o imóvel para a classe média alta e baixa, a um custo de R$ 70 mil a R$ 600 mil.
Newman Brito, diretor de Desenvolvimento Imobiliário da empresa, confirma a dificuldade de comprar terrenos para executar os empreendimentos. "Em algumas regiões de São Paulo, os preços subiram até 40% em um ano." Por isso, observa, novos bairros, que antes não eram tidos como residenciais, passaram a ser explorados pelas construtoras.
"De um ano para cá, começaram a faltar terrenos", afirma o diretor de Economia do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP), Eduardo Zaidan. Segundo ele, esse é um grande problema. Zaidan acrescenta também que hoje há um descompasso entre a capacidade de produção de novos empreendimentos e a vontade de emprestar dos bancos, que está em ritmo acelerado.
BREQUE
A dificuldade de encontrar áreas a um preço acessível torna inviável os empreendimentos que são especialmente voltados para as classes de menor renda. Roberto Carvalho Dias, diretor da Itcon, empresa especializada na prestação de serviços, confirma a elevação dos preços dos terrenos. Ele calcula que a especulação imobiliária pode brecar os empreendimentos para as camadas com renda mais baixa, se esses imóveis forem erguidos em regiões mais distantes da cidade.
No caso de um imóvel de R$ 50 mil, vendido em prestações de R$ 250, o negócio será afetado se ele estiver localizado num bairro periférico, onde o gasto mensal com condução é 50% do valor da mensalidade.
OESP