O mote agora é investir em equipamentos e serviços que aumentem o tempo de permanência dos hóspedes
As redes hoteleiras brasileiras estão adotando estratégias para aumentar a ocupação num setor que, segundo os executivos da área, está saturado.
Para reverter a estratégia os empreendimentos estão investindo para conseguir manter os hóspedes por mais tempo nos hotéis luxuosos. Outra conseqüência é o aumento dos investimentos em unidades de hotelaria econômica, que tem registrado melhores resultados.
Remodelagem
O grupo Accor é um exemplo do movimento. O Grand Mercure Ibirapuera, administrado pelos franceses e de propriedade de Antônio Setin, proprietário da construtora que leva seu nome, passará por uma reforma em breve. O investimento deve chegar a R$7 milhões.
Esse dinheiro será usado para a renovação dos apartamentos, troca de mobília, iluminação e decoração, mudanças nas áreas sociais, como lobby e restaurantes, além da criação de um spa, e de reformas nas piscinas, na sauna, no salão de beleza e na área de fitness.
"Queremos com isso aumentar a ocupação durante os fins de semana, passando dos 30% atuais para 50%", diz Carlos Jacobina, gerente-geral do Mercure Grand Hotel São Paulo Ibirapuera. Jacobina conta que quando o Mercure Grand Hotel foi lançado, em 1998 havia poucos hotéis de alto padrão na cidade. Hoje, porém, há dez hotéis na região, por isso, ele encara necessária a modernização das dependências do empreendimento.
"Nosso foco, são os clientes corporativos e de eventos, para eles projetamos a ampliação de mais um andar para eventos. Com isso pretendo atrair ainda mais as grandes empresas e fidelizar os clientes, a exemplo do que já acontece com IBM e Air France", completa.
Hotelaria econômica
Outra das conseqüências da saturação da hotelaria de luxo nas grandes capitais é o direcionamento dos investimentos para os hotéis econômicos.
O próprio Antônio Setin, que também é proprietário de um hotel da bandeira Ibis administrados pela Accor, anunciou recentemente a reformulação das unidades num investimento de cerca de R$3 milhões.
Os concorrentes de Setin no luxo, também estão reanalisando seus planos de investimento.
Quando procurados pela reportagem do DCI para falar sobre planos de investimentos, funcionários do Emiliano foram categóricos: "Não temos planos de abrir novas unidades".
A exceção fica por conta do Fasano. A empresa pretende abrir uma nova unidade no Rio de Janeiro, em alguma data próxima do meio do ano. Mas para São Paulo não há nenhum investimento previsto.
Planos da Accor
Segundo o diretor de desenvolvimento da rede Accor, Alberto Ribeiro, dos 46 empreendimentos que a empresa pretende colocar em operação, até 2008, junto com investidores, 26 são da bandeira Ibis, um hotel da classe econômica. Hoje, a rede tem 133 hotéis em operação, e apenas sete são considerados de cinco estrelas e ostentam a marca Sofitel.
"Algumas praças já estão bem servidas de hotéis de alto luxo, como São Paulo, mas ainda verificamos uma demanda de hotéis econômicos, principalmente no interior da capital paulista. Acredito que apenas as cidades de Brasília [DF], Porto Alegre [RS] e Curitiba [PR] ainda podem suportar a construção de hotéis de luxo", conta Ribeiro.
Sondagem
Mas de acordo com o diretor da unidade de negócios Hotéis e Hospitais da Método Engenharia, Roberto Rocha, os negócios de hotéis de luxo tem se recuperado nos últimos anos.
Ele prevê um impulsionamento, ainda que tímido, de empreendimentos de luxo em pontos estratégicos de intenso movimento de executivos, nos próximos anos. "Já começaram a nos procurar para analisarmos a viabilização de alguns terrenos para a construção de hotéis de negócios de luxo", comenta Rocha.
DCI