Expectativa é obter economia de até 25% no gasto com a expansão física da rede varejista
O grupo Wal-Mart quer implantar no Brasil seu modelo de negociação internacional, substituindo as conversas pontuais com fornecedores por um planejamento anual que já considera o quadro total de expansão da empresa. Com esse intuito, o grupo promove hoje sua primeira reunião com agentes relacionados ao crescimento da companhia, que vão de construtoras e empresas de equipamentos de refrigeração a fornecedores de estruturas metálicas e franquias que ocupam o espaço comum no térreo de suas unidades.
O momento não poderia ser mais favorável: este será o ano recorde de investimentos do grupo no Brasil, com aplicação de R$850 milhões em 28 novas lojas, além de reformas em outros 70 pontos-de-venda. No ano passado, a empresa investiu R$600 milhões para abrir 14 lojas no País.
"A reunião é parte do desafio do grupo de entregar 28 novas lojas, compartilhando com esses fornecedores nossas metas e a localização geográfica de cada unidade, para trazer mais transparência ao processo de negociação de expansão", conta Ciro Schmeil, vice-presidente de expansão do Wal-Mart.
A reunião aborda a expansão de todas as bandeiras do grupo, especialmente Wal-Mart, a atacadista Sam’ Club e a marca popular TodoDia. "Vamos mudar nossa metodologia de negociação, que incluía cotações para uma única loja e agora focará o plano total de expansão".
O principal objetivo, segundo o executivo, é ganhar produtividade entre a demanda e planejamento, o que se traduz em redução de custos. A meta é baixar entre 10% e 20% os gastos com o crescimento orgânico. Para se ter uma idéia, o valor de investimento para uma nova unidade Wal-Mart varia entre R$30 milhões e R$40 milhões, dependendo do endereço.
Como já possui todos os 28 terrenos em que irá instalar seus novos pontos-de-venda, a maior barganha este ano deve ficar entre a companhia e as construtoras, já que os custos das obras representam a maior porcentagem de investimento. "Como é a parte pesada do orçamento, exige maior negociação. A melhor forma de fazer isso será fechar contratos não por unidade, mas por pacotes de lojas", explica Schmeil.
Os gastos com a parte civil chegam a representar até 50% do custo da loja, ma se a varejista fecha contrato para três unidades ao invés de uma só, pode conseguir uma margem de economia entre 5% e 10 %, já que garante a demanda.
"Nos últimos anos o custo de nossas construções vem acompanhando a variação do INCC (Índice Nacional de Custo da Construção) e o objetivo é que fique abaixo disso", detalha Schmeil. Entre as 50 construtoras prestadoras de serviço estão a Método, no Sudeste, e Queiroz Galvão, no Nordeste.
"O que pode ajudar numa negociação é um contrato que inclua a entrega total da loja", aponta Luiz Antônio Maria, diretor da unidade de negócio Comércio da Método, que atende o setor varejista. Ao contrário do que fazem bandeiras como Extra, do grupo Pão de Açúcar, os contratos do Wal-Mart dividem a construção da loja entre diferentes segmentos – enquanto um fornecedor ficas com a construção civil e o sistema de ar-condicionado, outro fica com as instalações e um terceiro com pré-moldados.
Os contratos com fornecedores não estão limitados à sua região de origem – há fornecedores de esquadrias do Rio Grande do Sul que também atende os contratos em São Luiz do Maranhão, por exemplo. Ao contrário: a rede quer dar atenção especial a parceiros, no caso das franquias, que possam crescer junto com a rede, caso de O Boticário. "Essas empresas podem nos dar garantia de ocupação no mesmo ritmo de nossa expansão", destaca Schmeil.
Gazeta Mercantil