A família Matarazzo espera concluir a venda do terreno de 12 mil metros que possui na Avenida Paulista, em São Paulo, até o final dessa semana. Segundo um membro da família que acompanha as negociações, ouvido pelo Valor, as conversas estão no estágio final, mais ainda não foi decidido quem será o comprador. Na disputa por uma das áreas mais nobres da capital paulista estão grandes empresas brasileiras do setor imobiliário, assim como investidores internacionais.
Envolto em diversas polêmicas, o terreno que hoje abriga um estacionamento é alvo de cobiça de diferentes companhias do setor da construção civil há décadas. Mas imbróglios familiares, de ordem urbanística e mesmo fiscal travaram a venda. Agora, que boa parte desses problemas foi resolvido, tudo indica que a família, enfim, vai se desfazer da área, hoje avaliada em mais de R$100 milhões pelo mercado paulista.
Na reta final dessa disputa estariam pesos pesados do setor imobiliário brasileiro e internacional. Entre os candidatos a arrematar a área estão a Cyrela, a divisão imobiliária da Camargo Corrêa, o grupo português Sonae, a Andrade Gutierrez e o investidor americano Sam Zell.
"Existe razão para tanta gente querer esse espaço, ele tem tudo para abrigar um novo marco imobiliário em São Paulo", afirma Hugo Marques da Rosa, presidente da construtora Método Engenharia, que no passado também tentou adquirir o terreno da família Matarazzo.
De acordo com um executivo que vem negociando com os Matarazzo, a venda só não foi concluída ainda por conta das disputas familiares. Um membro da família afirma que esses entraves estão sendo resolvidos e que uma decisão final será tomada ao longo da semana. "São problemas de mérito familiar, mas na próxima segunda-feira se amanhece com um resultado final", diz um dos Matarazzo que tem participado ativamente das negociações.
O terreno em disputa é um dos últimos grandes espaços da avenida Paulista disponível para incorporação. Bem localizado, amplo e sem as antigas amarras legais, a aposta é de que um grande prédio de escritórios de luxo, ou um shopping center, dará lugar à antiga Vila Matarazzo. Construída entre 1939 e 1941, a mansão de 2,8 mil metros quadrados foi demolida na década de 90.
Valor Econômico